sábado, setembro 30, 2006

Animais nossos amigos



Se os santos gostam dos animais, porque é que nós não havemos de lhes querer bem também? Por princípio, respeito e estimo os animais. Em casa, os meus filhos tiveram sempre uma inclinação especial para os gatos e cães. Ao longo de muitos anos acolhi quer uns, quer outros. Tenho episódios passados que, só de me lembrar, sorrio com alguma nostalgia. Apenas duas passagens. Um dia tive que subir a uma árvore de um vizinho, um pinheiro de jardim - já alto, entroncado e de espessa ramagem - pois o gato tinha subido ao pinheiro e miava de aflição por não conseguir descer. Peguei num saco, engatinhei pela árvore e trouxe o amigo para baixo, mas os custos foram elevados: apesar do cuidado, fiquei todo arranhado da escaruma e pequenos ramos secos que picavam como agulhas. De outra vez, andei horas à procura de um felino que desapareceu. Pensando eu que ele tinha perdido o "tino" à casa, percorri quilómetros, mas não o encontrei. À noite fui ao terraço das traseiras e chamei por ele. Com espanto ouvi miar ao longe, repeti o chamamento e ele voltou a miar mais ainda, logo percebi que era o bichano que havia desaparecido. Estava num quintal inculto a cerca de 300 metros de casa, por detrás de imóveis com muros em volta e portanto não conseguia sair. Apesar de ser já bastante tarde, encetei a procura e com a ajuda preciosa de moradores daqueles prédios acabei por resgatar o gatinho e trazê-lo para casa. Mas foram muitas as boas e más recordações com que fiquei dos gatos que acolhi. Esta foto foi tirada há mais de um ano, um gatinho que a minha filha trouxe para casa e ao qual deu o nome de "bitchoia". Como era eu que normalmente tratava deles - como aconteceu com muitos outros -, ele gostava muito de estar perto de mim. Passava horas na carpete do escritório onde eu trabalhava, naquela posição, patinhas encolhidas, ronronando uma vez por outra, só saindo quando eu me levantava para fazer alguma coisa fora da sala. Passado uma semana de eu haver tirado esta foto, o "bitchoia" desapareceu, nunca mais volveu a casa. Teria ido às gatas e alguma o seduziu?

sábado, setembro 23, 2006

Beleza no entardecer


O entardecer do dia também enuncia beleza. Para aqueles que querem viver a vida em pleno, o final de algo nunca é fortuito, mas é encarado como um ciclo normal. Afinal só acaba aquilo que começou - ou se iniciou. Nessa etapa da vida, torna-se necessário fazer o balanço que poderá ser positivo ou negativo, de acordo com os nossos critérios. Quando iniciamos a caminhada, possìvelmente pensamos - ou traçamos - objectivos, quando fazemos o percurso final, também os devemos ter em conta. Não olvidando o tempo passado e aproveitando a experiência adquirida, só temos que assentar os pés na terra e dizer: ainda quero fazer. Cada um de nós sabe o que deseja e só tem que delinear o caminho, independentemente do tempo que tiver de vida. Será bom ter sempre presente que no fim do dia vem a escuridão, mas no dealbar de outro dia, surge a luz que, com todo o seu resplendor nos poderá ajudar a caminhar com esperança e porque não, com alegria. Eis uma sugestão que vos deixo ficar, lembrando que depois do negrume desponta a luz que poderá irradiar e transformar a nossa vida. Um bom fim de semana para todos.

quinta-feira, setembro 21, 2006

segunda-feira, setembro 18, 2006

Casamento gay no exército espanhol


Os noivos: Alberto Marchena e Alberto Fernández




Alcaide de Sevilla, noivos e madrinhas
Fotos de Kako Rangek

CASAMENTO GAY EM ESPANHA – A notícia

Com muita pompa, circunstância e sobretudo curiosidade, teve lugar na cidade de Sevilha-Espanha em 15 de Setembro passado a “boda” (casamento) de dois jovens espanhóis, Alberto Marchena de 27 anos e Alberto Fernández de 24 anos, com a particularidade de serem ambos militares do exército espanhol (aviação).
Após a alteração à legislação da vizinha Espanha que passou a permitir o casamento entre homossexuais, este foi o primeiro celebrado naquela cidade pelo alcaide Alfredo Sánchez Monteseirín.
O evento que, segundo as notícias, decorreu com normalidade, atraiu muitos curiosos e a imprensa, rádio e televisão. À entrada para o Ayuntamento de Sevilla, os noivos foram recebidos por um coro que cantou uma sevilhana. Curioso o estribilho da sevilhana: “Quanto te quero, este amor não tem cura, eu por teus beijos me perco neste mar de loucura”.
O povo da Andaluzia é exuberante e certamente que caprichou, viva a alegria e o mar de loucura.
Se desejar ver a notícia em pormenor – sugiro também a leitura dos muitos comentários, dado a diversidade de opiniões – consulte http://www.20minutos.es/





Pintura famosa de Adão e Eva no Paraíso



Comentário: os leitores habituais deste espaço possivelmente vão ficar surpreendidos com este texto, é natural pois quando existem tantos problemas em nosso redor no dia a dia, para quê falar de um casamento entre homossexuais e ainda para mais em Espanha?
De facto, pelo melindre do assunto não é fácil explicar, mas como é uma questão de princípio e valores, vou abordar o assunto, embora deva acrescentar que é a minha opinião pessoal que expresso e portanto espero a vossa tolerância.
Comecei por colocar a foto de uma pintura famosa que representa Adão e Eva, isso já permite deduzir algo do meu pensamento. Se verificarem, quando iniciei a notícia utilizei a palavra em espanhol “boda” que em português tem o significado de casamento – lá também – e porquê? SEM ser preconceituoso, discordo que a união entre dois homens (ou mulheres) seja considerado casamento. A história de milhares de anos está a ser alterada – será evolução ou regressão? - e os conceitos de vivência também. Está a sobrepor-se o individualismo sobre o colectivo, quando nós vivemos numa sociedade cada vez mais globalizada e globalizante. No sentido prático, qual a contribuição destas uniões para as gerações futuras? Não querem a continuidade, vão fazer adopções de filhos ou será apenas para satisfazer um direito que agora lhes é reconhecido (bem ou mal) ?
Cientìficamente não está provado que a homossexualidade seja adquirida através dos genes e portanto será uma questão de comportamento, em meu entender aberrante e contra natura.
Na cerimónia realizada, o Alcaide de Sevilha incentivou os dois jovens a “criarem uma família comprometida com a sociedade com igualdade e diversidade”. Penso que o conceito família – neste caso – está deturpado ou pelo menos é pouco claro. Não imagino o futuro do mundo com este tipo de famílias, creio que apenas servirão as ditas minorias, sejam homens ou mulheres. Que tipo de amor poderá unir estas famílias? Responda quem souber. A minha discordância nada tem a ver com motivos religiosos, mas sim por apelidarem este tipo de ligação como sendo casamento, podem dar-lhe outra designação, mas essa não é correcta tendo em conta os parâmetros naturais e históricos. Num casamento entre homem e mulher existe amor, atracção, um relacionamento de prazer, mas com objectivos que vão para além do próprio casal. Numa união homossexual também poderão estar presentes esses sentimentos, mas quanto a objectivos de procriação…… acho que estamos falados.
O ser humano tem liberdade de pensar e agir – no caso de Espanha até tem lei que permite estes enlaces -, só dessa forma eu admito as uniões deste género. Respeito a sua liberdade, mas não pactuo pelo que atrás explícito. Não me considero antiquado nem tão pouco “prá frentex”, é uma questão de princípios e bom senso. Afinal a vida é para ser vivida da melhor forma possível, mas tudo que é contra a natureza das coisas é nefasto ao ser humano. Que fique bem claro que não tenho nada contra os homens e mulheres que escolhem essa via de comportamento, apenas discordo, fazendo uso da liberdade que assiste a qualquer um, aos que seguem esse caminho e àqueles que como eu, não seguiram nem seguirão. É tão simples e claro como água cristalina que brota da montanha.


O povo diz que o casamento - normal ou tradicional - é uma carta fechada, será que em relação à união de homossexuais poderemos dizer que é um livro aberto à liberdade individual, ou pelo contrário poderá ser um livro que fechará um ciclo da história da humanidade? O desafio está feito, espero que haja leitores com coragem para debater o assunto, terei todo o prazer em os receber. Estou convicto de que haverá algo de positivo nestas uniões, portanto vamos tentar encontrar o lado bom e contrinuir para o aprofundamento da questão, valeu?

terça-feira, setembro 12, 2006

O Jardim do vizinho












Este post é uma homenagem à natureza e àquilo que é uma das suas mais belas oferendas para todos nós. Sempre gostei de flores, pois vejo através da imensidão das suas cores a pureza que nos permite imaginar o belo, para além do agradável odor que nos proporcionam. Se fosse pintor, o meu tema preferido seriam as flores, mas como gosto de fotografia é através de imagens que me exprimo. Tenho o prazer de ter a amizade de um vizinho que também gosta de flores. Estas fotos são dos seus canteiros, mesmo em frente à vivenda. Embora reformado, continua sempre activo, após ter deixado algumas dezenas de anos como gestor hoteleiro. Para além de outras actividades, tem uma paixão que lhe ocupa algumas horas durante o dia: as suas flores. Ele confessou-me que não "percebia" nada do seu cultivo, mas embrenhou-se no seu estudo, foi fazendo e hoje vemos o carinho com que trata das plantas. A prova disso está nas imagens que captei, as fotos são de minha autoria, mas o artista é ele. Parabéns. Certamente que o meu amigo terá tanto prazer como eu em vos proporcionar a possibilidade de disfrutar da beleza de flores simples, mas que "dizem" muito a quem - através delas - vê o carinho e amor pelas coisas boas da vida.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Pensamento de Vida


Dado que se trata de um pensamento, seria suposto nada mais acrescentar. Apesar disso, eu queria transmitir-vos um axioma que aprendi e que poderá ajudar positivamente a compreender melhor a meta, independentemente de concordarmos ou não. Ver, julgar e agir é algo que deve estar sempre presente na nossa acção. Uma boa avaliação exige uma tomada de posição firme e precisa, afinal é da nossa Vida que falamos, não é verdade?

domingo, agosto 27, 2006

A vida é uma flor bela, não a deixes murchar




As flores representam o que de mais belo temos na vida. Sem flores o Mundo seria um antro de tristeza e desgosto. A sua beleza eleva-nos aos cumes da esperança, do desejo da paz e bem estar. O gesto de oferecer uma rosa é algo de sublime quando, com ela, queremos mostrar a nossa gratidão pela vida.
Que o coração de cada um de vós aceite esta rosa que eu com alegria vos deixo, é uma rosa do meu jardim, é algo que ofereço com amor a todos que visitais este cantinho.

terça-feira, agosto 22, 2006

É o vinho senhor, é o vinho...

Pintura de José Malhoa - Museu de Caldas da Rainha

Este tema é candente e nada melhor que a arte de José Malhoa - os bêbados - para complementar um texto já de si com um grau (não alcoólico) de dificuldade elevado, tendo em conta a sua antiguidade, assim como uma actualidade incontestável. Não vamos fazer a apologia do vinho, bom ou mau, nem das suas qualidades e defeitos. Vamos contar uma história ocorrida em Lisboa (como poderia ter acontecido em qualquer outra cidade ou lugar) na década de 60. Quem conheceu Lisboa naquela época ainda teve oportunidade de ver pequenas casas a que chamavam tavernas - estavam espalhadas por toda a cidade - e que na generalidade vendiam apenas vinho, embora algumas já tivessem tabaco e alguns alimentos, sobretudo productos hortícolas. Recordo-me de que o vinho era vendido a copo e tirado da pipa no momento.Estas casas tinham um horário bastante alargado e eram frequentadas por pessoas de todas as categorias sociais, embora fossem os indivíduos de menores recursos que mais recorriam a estes espaços. Não fui frequentador daquele tipo de casas, pois nessa ocasião já começavam a surgir por toda a cidade os cafés e era para lá que os mais novos se encaminhavam. Era o local de convívio e estudo (sim, de estudo, quantos jovens iam para a mesa do café, tomavam algo e passavam lá horas a estudar, eu também o fiz. Eram outros tempos). Ao lado do prédio onde eu morei havia uma taverna e nessa altura tive oportunidade de conhecer muita gente que a frequentava, até porque uma boa parte eram vizinhos ou moravam não muito distante.
O Vinho era vendido a copo, directamente do barril

Um senhor já de meia idade e pintor de profissão, era um dos fregueses habituais daquela taverna. Ao fim da tarde e até anoitecer, eram inúmeras as vezes que o via a beber uns copitos e fazendo farra com os companheiros. Com o seu fato-macaco azul, alto e magro, fácilmente se distinguia - até pelo tom de voz. Quando eu passava sabia se ele estava ou não. Uns copitos a mais que a conta e ei-lo a falar bem alto, rindo-se por tudo e por nada. Homem muito trabalhador, com mulher e quatro filhos - só varões - não perdia a visita diária àquela taverna. Não se constava que em sua casa faltásse o que quer que fosse, mas a verdade é que a esposa não gostava daquele modo de vida, censurando-o com frequência. Apesar disso, o tempo foi passando, os quatro filhos cresceram, fizeram os estudos primários, mas um deles tinha um sonho: ser médico, doutor, como ele dizia. Contudo, os pais não tinham posses para tal. Começou a trabalhar cedo num escritório - como paquete - e à noite frequentava uma escola. Passado algum tempo deixei de os ver, mudaram-se de casa. O tempo vai passando inexorávelmente e eu nunca mais voltei a ver qualquer membro daquela família. Passados mais de quinze anos, encontrei casualmente - num café que outrora frequentara - o dito jovem que sonhava ser médico. Olhei na sua direcção, mas hesitei em dirigir-me a ele, na verdade não me parecia o mesmo, estava diferente, mas os traços fisionómicos eram os mesmos. Apesar de tudo isso, avancei e perguntei-lhe se era o Fernando que morara na minha rua, ele respondeu-me afirmativamente, reconhecendo-me também. Estivemos muito tempo à conversa, recordando esses tempos. O pai falecera com uma doença no fígado, os irmãos e a mãe eram vivos. Mas a minha curiosidade era saber o que ele tinha feito, se conseguira ou não concretizar o sonho. Para meu espanto, ele disse-me: estou a exercer medicina no hospital X. Comecei a fazer inúmeras perguntas, recordo-me que ele me confessou que o desejo de ser "doutor" o levou a suportar todos os sacrifícios: trabalhar de dia e estudar à noite até uma certa altura e depois mudar de emprego e continuar a estudar por cadeiras (disciplinas) acabando a formatura, tal como ansiara. Disse-me que o dia do "doutoramento" havia sido o melhor da sua vida até então. A alegria da mãe e dos irmãos fora uma enorme satisfação para ele. O pai já não teve oportunidade de ver, mas foi a ele que o jovem médico dedicou todo o seu trabalho. Um dia, o pai perguntara-lhe se ele queria ir trabalhar para a pintura com ele e a resposta foi sêca e directa: não pai, eu quero ser médico, quero ser alguém na vida. Também eu fiquei feliz por ele, conseguiu realizar o seu sonho. Ao saber a causa da morte do pai, perguntei-lhe de uma forma algo "desconchavada": então e tu também gostas da pinguita? (não sei como consegui o atrevimento para isso, mas de facto perguntei) Ele olhou-me muito sério e disse: não da forma como estás a pensar, não herdei isso de meu pai - nem nenhum dos meus irmãos -, bebo também às refeições ou mesmo fora delas em convívio, mas faço-o moderada e sensatamente. Mudei de imediato de assunto, mais tarde tive ocasião de voltar a conversar com ele e sinceramente, ainda hoje, vejo naquele jovem um exemplo para tantos que não o são.

A história que descrevo acima é real, talvêz eu tenha sentido alguma dificuldade em transmiti-la fielmente, mas quis fazê-lo para expressar o que penso àcerca do vinho - e até de outras bebidas. Quase tudo é bom, desde que consumido com moderação. O vinho é uma dádiva de Deus - não foi por acaso que frades de várias ordens foram dos primeiros a produzir dos melhores vinhos e até cervejas -, os médicos são de opinião de que beber vinho moderadamente faz bem à saúde. Fernando Pessoa dizia: boa é a vida, mas melhor é o vinho. Segundo a sua perspectiva, até tinha razão. Na sociedade portuguesa beber é snob, é moda, qualquer bebida serve para "marcar" a diferença, sobretudo entre a juventude. Quando se pensa assim, estamos a um passo do abismo que cava a diferença no ser humano. Perdem-se grandes homens e mulheres só porque não souberam distinguir (ou não conseguiram) entre o beber com prazer e moderação e o beber para se exibirem. Quem for inteligente e sensato saberá encontrar a melhor via, embora qualquer ser humano tenha a liberdade de se promover ou autodestruir, a escolha fica ao critério de cada um.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Amor














Vamos falar de amor. Mas o que que poderemos dizer que não haja sido dito ou escrito? Tantos escritores se pronunciaram sobre o amor e desamor, ouvimos diáriamente falar nele mas, quantas vezes, para dizerem e até provarem que ele não existe ou simplesmente, que é escasso. Que ele existe, não há dúvida. A grande incógnita é a nossa (de cada um) "medida" ou conceito do que é o amor.
As palavras que escrevi no pergaminho - é habitual serem pensamentos positivos ou lapidares e não interrogações -, nada definem, apenas têm a finalidade de nos fazerem pensar na interrogativa, mas o amor não será isso mesmo? Pensei em colocar a primeira frase na afirmativa - por me parecer correcta e abrangente, pois quem tem amor, tudo supera - mas li e reli e concluí ser mais oportuno pô-la também na interrogativa. Já a segunda frase deixou-me sérias dúvidas se a interpetrásse na afirmativa, mas caso seguisse a linha de pensamento de afirmativa na primeira, também poderia encará-la pela positiva, porque não? Finalmente a terceira frase que é uma realidade palpável e que põe em dúvida a segunda numa possível afirmação - quem sofre, não ama - é completada com a pergunta: é possível nos nossos tempos? Também esta complementariedade poderia ser na afirmativa. Será que isto não é uma enorme confusão? Dúvidas, mais dúvidas, mas afinal em que ficamos? Não tenho grandes alternativas, eu também as tenho. O próprio dicionário de português diz: amor (substantivo masculino) dando como significado: afeição, paixão, afecto, inclinação. Substantivo masculino e porque não haveria de ser feminino? A proveniência da palavra é latina - amòre -, talvêz nos ajude a compreender o porquê de ser masculino, ou não.
Eu gostaria de vos ajudar e dizer que o amor é a coisa mais maravilhosa que o ser humano tem, mas quantos o reconhecem e pôem em prática? Penso que terá de começar por cada um de nós, devagar, de mansinho, como quem não quer a coisa (a frase não é minha, penso que a ouvi) e começar por gostar um pouco mais de nós - sem egocentrismos -, irradiando o amor que em nós existe. Quantas vezes não tivemos ao nosso lado um amigo que precisou de uma palavra de conforto e não a demos; um filho que precisou de auxílio e não o concedemos; uma palavra carinhosa para a esposa(o) e esquecemos de o fazer? E tantas outras coisas que deixamos de fazer, só porque não estávamos atentos. O que passou já não podemos corrigir, mas hoje é um novo dia, se houver amanhã, será outro e por aí adiante, portanto vamos em frente esbanjando (sim, esbanjando) o amor que temos dentro de nós, só assim poderemos aspirar à felicidade e contribuir para o bem dos outros.
Com afecto e o desejo sincero de que sejam felizes.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Que esperas para além da vida?


Esta é janela da vida

Não tem caixilhos

Não tem vidros

Não tem fechos




Um dia a janela fechará

Ficará o esqueleto

Rude como a pedra

Que se desfará em pó




Depois de passares a janela

Que pensas levar contigo?

Riquezas, amor, poder ?

Que pensas encontrar?



Tu não sabes, eu também não

Só nos resta um caminho

Praticar em vida o bem

Amar todo o irmão


JES

terça-feira, agosto 01, 2006

Poesia de Florbela Espanca



AMAR

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...



Este poema de Florbela Espanca que viveu na procura da felicidade mas limitada pelas suas frustações e anseios, revela um sensualismo próprio, quase erótico. Nesse contexto, a palavra amar tem um significado profundo e muito sui géneris.
É uma homenagem que presto à poetisa que tão cedo abandonou aqueles a quem amava e simultâneamente aos que cultivam o sentimento do belo, especialmente às minhas leitoras com um beijinho - mesmo virtual - de gratidão.

sexta-feira, julho 28, 2006

Quem anda à chuva, molha-se.



É a sabedoria popular. De facto, quem anda à chuva, molha-se. Não obstante ser um ditado, serve perfeitamente para ilustrar o que me aconteceu. Apesar de haver iniciado o meu trabalho na net com outro blog temático - há mais de um ano -, a verdade é que apenas dei as ideias, os temas e fotos, e só pouco a pouco fui fazendo a gestão do espaço.
Quando há cerca de um mês criei este blog, decidi que teria de fazê-lo e arcar com o ónus, ou seja, partir para um domínio mais concreto da técnica. Resultado: fui elaborando lentamente o sítio, para dessa forma atingir os objectivos.
Toda esta conversa para dizer que, apenas hoje, coloquei um contador de visitas. Não é que seja muito importante, mas dá-nos uma ideia da aceitação ou não, do nosso trabalho. É verdade que os visitantes que por aqui passaram até hoje, não fazem parte do número do mostrador, mas já estão registados na lista dos amigos, mesmo que virtuais. Foi com todo o gosto que os recebi e desejo continuar a fazê-lo de futuro. Este espaço é comum, porque também é público, mas onde os amigos têm um lugar especial, porque é um espaço de partilha. Mas como quem anda à chuva, molha-se, desejo que este barco - que é o meu blog - não meta água e seja um porto seguro de visita e permanência para cada um de vós.

quarta-feira, julho 26, 2006

Dia dos Avós



Hoje comemora-se o dia dos avós. Esta imagem, que não passa de uma caricatura, serve perfeitamente para emoldurar o texto. O importante - neste caso - não é a imagem, mas sim as poucas palavras que vou adicionar.
A vida do ser humano é efémera, de curta duração. Quando se é avó ou avô, em princípio já se atingiu uma meta de declive da vida, mas muitas vezes compensada pela experiência adquirida.
Na sociedade que temos, os pais tem dificuldade em acompanhar os filhos e muitas vezes são os avós que suprimem essas carências. Quanto carinho e amor ainda há em tantos avós para dar, nem imaginam. Também eles precisam por vezes de um mimo, mas podem crêr que quando afagam um(a) neto(o) é o coração a transbordar de afecto que está na ponta das suas mãos e o toque é de algodão.

terça-feira, julho 25, 2006

O Poder do futebol em Portugal


Foto de António Azevedo/ASF


A publicação da foto é uma homenagem que pretendemos fazer ao secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias. Na conferência de imprensa do passado dia 19 de Julho e a propósito do caso Nuno Assis, jogador do Benfica, o governante teve a coragem de expôr públicamente aquilo que pensa - e por conseguinte o Estado Português - quanto ao possível doping daquele jogador no encontro disputado na Madeira entre o Marítimo e Benfica, em 03/12/2005. A história é (?) simples. O jogador em causa foi submetido ao controlo anti-doping e acusou positivo. A Comissão Disciplinar da Liga suspendeu o atleta por seis meses. O Benfica recorreu para o Conselho de Justiça da Federação (CJF), esta absolveu o jogador, anulando a decisão da Comissão Disciplinar da Liga e mandou arquivar o processo. O governante classificou o acórdão de "violação grosseira das normas, regulamentos e leis da luta contra o doping". Será bom lembrar que os motivos invocados pelo C.J.F. para a anulação se prende com "questões meramente formais" segundo comunicado da Federação Portuguesa de Futebol. TROCANDO POR MIÚDOS: mesmo havendo análise positiva, teria que ser devidamente especificado pelos organismos que se encarregaram da recolha, transporte e análise efectuada, o que segundo o governante, não corresponde. Razão tem o Sr. secretário de Estado para verberar este tipo de procedimentos que, na prática, acabam por impedir o devido castigo para aqueles que utilizam o doping. Pelo meio surgem acusações ao organismo que faz as análises (CNAD). Há aqui uma história mal contada. O Dr. Laurentino Dias assume que irá remeter o caso à Procuradoria-Geral da República, FIFA, UEFA e Agência Mundial Antidopagem (AMA) e eventualmente ao Tribunal do Desporto para apreciação. É a primeira vêz que um governante do Estado Português tem a coragem de "dar luta" aos "donos" do futebol, só por isso, merece o nosso apreço. O doping além de ser prejudicial à saúde, desvirtua o desporto, há que reconhecê-lo. Certamente que o caso não acaba aqui, vamos esperar pelos próximos capítulos.
Apenas algumas notas soltas. O futebol profissional tem regulamentos próprios, é necessário que TODOS aqueles que estão envolvidos os cumpram, infelizmente em Portugal não tem sido esse o caso. Cada organismo, clube ou atleta deve assumir as suas responsabilidades e não lutar únicamente pelos seus interesses. É necessário responsabilizar esses agentes, já que infelizmente muitos não são responsáveis.
Em Itália (campeã do Mundo de Futebol) ainda está a decorrer um processo que envolve os principais clubes da Série A do cálcio, quatro dos principais clubes (Juventus, Milan, Fiorentina e Lázio) já foram despromovidas à divisão secundária, para além de multas pecuniárias elevadas, suspensões a dirigentes e ábitros irradiados. O processo italiano prende-se com ilícitudes, tendo como principal objectivo a "compra" de resultados desportivos. Será que em Portugal isso seria possível? Com toda a sinceridade, duvidamos. Veja-se o caso "Apito Dourado", em que ficou?
É deveras lamentável que o futebol em Portugal continue a ser "um mundo à parte", onde há "donos" e o aspecto económico suplanta tudo o resto.
Será que um dia conseguiremos ver o poder político impôr-se e colocar o futebol português no plano de todos os outros sectores económicos e sociais? Tenho muitas reservas quanto a isso, mas até que isso aconteça, vamos ter esperança nessa possibilidade.

domingo, julho 16, 2006

Ter ou não ter tomates, eis a questão!




Vamos contar uma história. Um dia, Afonso conduzia o seu camião carregado de frutas e legumes a caminho do mercado, tinha acordado tarde e rolava a toda a velocidade. Numa curva mais apertada sentiu que alguns produtos haviam caído, mas não se deteve pois tinha pressa. Dois grossos tomates muito avermelhados rolaram pela estrada e foram cair na berma. Levantaram-se, sacudiram a poeira e um disse: safa, pensei que morria desta, quantas cambalhotas eu dei mas, parece-me que para além de umas pisadelas, está tudo bem. Pois é, respondeu o outro, eu só tive medo que algum carro me esmagasse, afinal foi só o susto.
Ainda olhavam um para o outro quando - um pouco mais à frente - depararam com uma grande cebola descamisada e pesarosa. Também ela havia caído e ficado maltratada. Não ligaram e seguiram dizendo: só nos faltava esta, depois desta desgraça ainda encontramos uma cebola suja e mal-cheirosa, Tu sentis-te o odor dela?
Sentado na berma do caminho estava o Manel pepino, cansado e cheio de larica, quando olhou e viu dois tomates e uma cebola mesmo à sua frente, deu um pulo e pensou: que bom, olha o que encontrei, pelo menos posso fazer uma magnífica salada. Se o pensou, mais depressa o fez e tragou àvidamente, tal era a fome que tinha.
Moral da história: quem tem tomates, chama-lhe seus e até pode fazer uma salada deles.
Reparem bem na maravilha destes que estão por baixo, lindos de morrer, serão saborosos?
Nota: penso que não esperavam outro final para a história, ou será que estavam a pensar "noutra história"? Não!...
Uma boa semana de trabalho.

sexta-feira, julho 14, 2006

Uma coroa imperial no...meu jardim!



Esta foto foi obtida esta semana. Ano após ano, entre Junho e Julho sou brindado com o ressurgir desta maravilhosa flor. Dura umas semanas e vai-se, mas desde os primeiros dias em que começa a abrir lentamente cada pétala, apresenta todo o vigor e beleza que merece ser lembrada tal como é. Aqui fica para a posteridade. Depois, tal como abriu, vai secando e caindo uma a uma, ficando o caule - que depois tenho o cuidado de cortar - e guardar para no próximo ano voltar a por na terra e recomeçar o ciclo. Isto para dizer que tudo tem um princípio e fim. Esta flor nasceu, viveu para nos dar prazer e morre naturalmente quando chega o seu tempo.
Poucas vezes pensamos na nossa existência tal como ela é. Nascer, viver e morrer. Daqui poderíamos partir para um texto bonito, talvêz até poético, mas a verdade é que eu gosto da verdade nua e crua, ou neste caso, da realidade. Perante este ciclo da vida de cada ser humano - da minha, da tua e dos outros - e olhando em redor ou mais longamente, que vemos? Guerra entre Israel e Palestinianos; no Iraque; no Afeganistão; movimentos de guerrilha em muitos países; fome e doenças em África e noutros pontos do Mundo; povos oprimidos na sua liberdade cívica e religiosa. Em suma, verificamos que os dirigentes de uma grande parte dos países do Globo continuam a utilizar o seu poder para matar e não para viver, pelo menos com alguma dignidade. Há necessidade de reflectir, nem que seja por momentos, e tentar ver qual é o nosso papel perante o que nos rodeia. Vamos continuar a fazer de conta que não vemos nem ouvimos? É longe, não nos diz respeito, pensarão alguns. Isso é lá com eles, dirão outros. Mas não é este Mundo uma aldeia global? Que estamos nós a fazer pelos que têm fome, sede, estão doentes, vivem em guerra? Temos a certeza que isso não nos diz respeito? Cada um de nós saberá o que em seu coração poderá fazer, descubra-o, porque estão milhões de pessoas à nossa espera, essa é a realidade. Já que a maioria dos governantes do Mundo não cumprem o seu dever de zelar pelos seus povos, procuremos nós a melhor forma de ajudar aqueles que nos estendem uma mão invisível, mas que sabemos ser bem real. A procura da paz no Mundo passa por tudo isso, paremos um pouquinho para pensar, vamos abrir o nosso coração aos outros para que eles também possam usufruir dessa paz a que têm direito. Mas não fiquemos pelos desejos, vamos ao concreto, como poderemos contribuir para minorar as carências daqueles que precisam? Cada um de nós terá a resposta, depois é só avançar.
Uma boa semana para todos.

quarta-feira, julho 12, 2006

Para o povo sobejarão alguns cêntimos?















Ontem e hoje, vieram à estampa diversas notícias através dos meios de comunicação social que merecem a nossa reflexão.

1) Bancos portugueses lucram mais de 4 milhões por dia (ganhos cresceram 30% num ano), de acordo com os dados oficiais do sector, disponibilizados pela Associação Portuguesa de Bancos (APB), no seu boletim informativo.

2) Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, assegura que os portugueses vão continuar a "apertar o cinto". Razão invocada: "reduzir o défice até 2008 para um valor abaixo dos 3 por cento - estando agora nos 6 por cento - vai continuar a exigir sacrifícios de todos os portugueses". A afirmação foi feita pelo ministro no final da reunião dos ministros da finanças da União Europeia em Bruxelas.

3) Câmara de Lisboa gasta só com acessores, segundo o Correio da Manhã 3,1 milhões de Euros/ano. De acordo com informação da TSF, 8 milhões. A Câmara Municipal de Lisboa nega a veracidade da informação.

4) No debate sobre o "estado da Nação", o primeiro-ministro português, José Sócrates, disse esta quarta-feira no Parlamento que a economia portuguesa "conseguiu inverter a tendência e regressou finalmente a uma trajectória positiva de crescimento".

Com toda a sinceridade, eu gostaria de comentar, mas a verdade é que prefiro ficar pelo título deste post "para o povo sobejarão alguns cêntimos?" e deixar a cada um de vós a possibilidade de opinar. Que acham de tudo isto?

segunda-feira, julho 10, 2006

A Selecção nacional cumpriu e honrou o País


Foto do jornal " O Jogo"

A imagem foi obtida no final do Inglaterra x Portugal, jogo dos quartos-de-final que terminou empatado a 0-0, mas que Portugal venceu na marcação de grandes penalidades por 3-1, passando assim às meias-finais. Neste jogo há um destaque especial: a excelente prestação de Ricardo ao defender 3 grandes penalidades, o que ficará na história, pois dessa forma muito contribuiu para a passagem de Portugal à fase seguinte com a França. A foto é significativa pela festa da selecção com o público apoiante. Foi bonito, pois a assistência - especialmente os portugueses - sempre apoiaram incondicionalmente a selecção das quinas.

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Tomando como referência a constituição da selecção nacional para o Euro 2004 e que obteve uma classificação muito meritória, Luiz Felipe Scolari utilizou os mesmos critérios para este Mundial de 2006. A escolha dos jogadores foi uma aposta ganha, assim como a união do grupo de forma ainda mais acentuada. Estes dois factores mais o apoio de todo um País que gosta de futebol, constituiram a base para o êxito obtido. Parabéns a toda a equipa que cumpriu e soube representar Portugal. A recepção à chegada ao aeroporto de Lisboa foi uma homenagem merecida, não apenas dos que estavam presentes, mas de todos os portugueses.
Conquistar um 4º lugar em Campeonato Mundial, honra qualquer País. Recorde-se que ficaram para trás selecções com valor idêntico ou superior à nossa, por exemplo: o Brasil e outros. Obter "apenas" esta classificação - e não outra superior - dispensava qualquer desculpa e aí, Carlos Godinho, director desportivo da Selecção Nacional esteve mal ao utilizar como exemplo o facto da mulher de Beckham estar na tribuna de honra e as mulheres dos nossos jogadores não estarem. Já concordamos com o que disse depois de que "temos muito pouca força na estrutura do futebol internacional", isso sim, é verdade. Acrescentou ainda "que Portugal é um País muito pequeno, que ainda não cimentou a sua posição internacional", infelizmente também corresponde.
Mas talvez seja oportuno lembrar a Carlos Godinho - e até a outros dirigentes - as palavras proferidas pelo secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, em Évora (03.02.06) na assinatura do protocolo entre o Instituto do Desporto de Portugal (IDP) e a Junta da Extremadura espanhola. "É muito feio, para nós portugueses, ocuparmos o último lugar nos hábitos de prática desportiva entre os 25 países da UE, e envergonha o máximo responsável do Desporto em Portugal, mas tenho de o dizer. Portugal, considerou Laurentino Dias, tem, de vez em quando, algumas alegrias e êxitos em competições internacionais", mas deve apostar no fomento dos hábitos desportivos entre a população, "sobretudo nas camadas mais jovens. Às vezes somos campeões da Europa nesta ou naquela modalidade e é bom que isso aconteça e vamos sempre procurar capacitar os nossos desportistas, mas nenhum país pode, ao mesmo tempo, querer formar campeões sem fazer um enorme esforço para seduzir e estimular mais população para a prática desportiva". Findou declarando que o actual Governo é para essa área que "dirige muito do esforço actual e vai continuar nos próximos anos". A ver vamos, como dizia o cego. Aguardamos os próximos passos da Lei de Bases do Desporto, para depois avaliarmos o cumprimento ou incumprimento destes objectivos. Mas, promessas à parte, será que os argumentos apresentados pelo secretário de Estado serão mais plausíveis que as desculpas utilizadas pelo director desportivo da Selecção Nacional?

sexta-feira, julho 07, 2006

O Fado mora em Lisboa


José Malhoa-1910 * Museu da Cidade - Lisboa

Nada melhor que terminar este trabalho singelo com uma referência ao fado, canção de Lisboa. Ilustramos com um quadro de José Malhoa, pintor de renome e que ainda hoje é recordado como grande mestre.
Lisboa tinha na década de 60 várias casas de fado. Só bastante mais tarde é que as conheci. Mas havia uma artista que preencheu o meu imaginário na juventude, que muito admirava e hoje presto homenagem: Amália Rodrigues. Passados tantos anos, continuo a ser fã. Admirava outros fadistas da época, uns mais que outros. Semprei gostei de ouvir o fado de Lisboa no feminino, porque o fado de Coimbra agrada-me mais no masculino, a forma e tonalidade são diferentes. No aspecto musical as minhas opções eram o Fado e The Beatles, aquela banda que mais tarde ficou famosa e ainda hoje é reconhecido que foi um marco para a época. Continuo a escutar com prazer qualquer destes tipos de canção.Recordo ainda com saudade a primeira vez que vi e ouvi Amália na Televisão - ainda a preto e branco - creio que em 58.
No aspecto artístico, os anos 60 ficaram marcados também pelo Teatro. Assisti a espectáculos no Nacional, por onde passaran grandes artistas e peças de muita qualidade, mas a minha simpatia e admiração nessa área foi sempre para o teatro de revista. Fui várias vezes ao Parque Mayer, tinha Artistas preferidos e que admirava, António Salvador era o número um. Adorava as piadas políticas e ele tinha um jeito de as transmitir melhor que ninguém. A subtileza, mordacidade e alegria das peças de revista sempre me deliciaram. A inauguração do Metro de Lisboa foi outra etapa vivida e que encarei com a maior normalidade, mesmo apesar de ouvir muitas pessoas de idade avançada dizerem: "eu andar debaixo do chão, nunca", mas a verdade é que anos volvidos até mesmo os mais velhos ficaram rendidos ao novo meio de transporte.
Antes de terminar, quero ainda recordar algo que marcou a minha infância nessa década. Eu que conhecia bem os cantinhos de Lisboa em função do meu trabalho, nessa altura também era guloso (o que é doce, nunca amargou, diz o nosso povo) e sempre que tinha de me deslocar a um cliente perto da Graça, subia a Calçada de S.André. Sensívelmente a meio da subida, havia um prédio antigo onde se encontrava sempre -junto à entrada - uma senhora de idade, ali vendia pasteis de nata feitos por ela. Custavam cinquenta centavos (cinco tostões). Sempre que ia àquele cliente, subia a rua de propósito, só para comprar os pasteis. A sensação que tenho ainda hoje é que não havia pasteis melhores que aqueles, nem os de Belém me sabiam tão bem. Anos mais tarde deixei de ver a senhora dos pasteis, mas a verdade é que ficou a lembrança. A criança que ainda hoje existe em mim CHORA esses tempos.