quarta-feira, outubro 29, 2008

Menina à janela


Menina que estás à janela..., assim começa uma canção bastante popular que enfatiza a forma como os jovens namoravam no século passado. Os rapazes não tinham liberdade para sair com as suas "amadas", namoravam apenas aos Domingos e normalmente de fora das casas. Ainda tive oportunidade de constatar isso na década de 60, elas à janela e eles cá em baixo na rua de pescoço esticado e olhar fixo na janela, e era assim que namoravam. Mais tarde já os jovens podiam ir a casa das moças, mas era preciso a autorização dos pais e quando tal acontecia, havia sempre uma mãe extremosa que ficava por perto a ouvir a conversa e vigiar os "pombinhos", não fosse haver algum avanço do moço atrevido. Quando o tempo de namoro já era razoável, então os jovens podiam sair, mas havia sempre alguém que os acompanhava, um irmão, uma prima, um amigo ou amiga - o nome próprio para esses acompanhantes era "pau de cabeleira", não me perguntem o significado, porque sinceramente não sei -pois os pais queriam que as suas filhas não se "transviassem". Lentamente a sociedade foi evoluindo e esses hábitos caíram em desuso, mas a verdade é que é salutar lembrar esses tempos e porque não fazer a comparação com a forma como hoje se processa o namoro? De facto a similaridade quase não existe, actualmente nem é preciso namorar para casar, mas perdeu-se o romantismo e encanto que tal representava. Casava-se pela igreja, era uma festa familiar e social, havia uma "lua de mel" para o jovem casal que mal se via livre das obrigações encetava a fuga. Mas muitos tinham à espera as "partidas" dos amigos: latas penduradas em pontos estratégicos do carro que quando se punham em marcha assinalavam ruidosamente a arrancada e constituíam gozo para os autores da partida. Quantas vezes os carros eram pintados com as mais diversas inscrições, mas tudo isso era aceite pelos noivos como complemento normal do enlace. Se o casamento era em dia de chuva, alguém sentenciava: casamento molhado é casamento abençoado, vão ser felizes. Usos, factos e coisas que passaram à história, mas que sabe bem recordar nos tempos que correm.
Nota: Para os mais saudosos deixo a música de Vitorino que poderão encontrar no fundo do blog.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Natureza sublime

Haverá algo mais belo que vislumbrar a água descendo suavemente pelas encostas do rio, como um múrmurio de amor de alguém que amamos? Fitar a fauna verdejante de olhos húmidos de um verde de esperança? Sentir o calor do sol que abrasa quem abraça? Ouvir o chilrear das aves que agradecem o dom da vida? Oh, como a natureza é bela e nós ingratos, não somos capazes de o reconhecer. Em vez de a amar, maltratámo-la e espezinhamos o doce aroma que inunda os nossos sentidos. Como o Mundo seria diferente se cada um de nós a afagasse com ternura e abrindo o coração a defendesse da destruição do homem. Ela é a mãe que reúne em si tudo quanto há de mais belo e terno, que se renova e nos dá novo alento para a vida. Quando queremos meditar, onde encontramos o local ideal? Quando desejamos paz e silêncio onde vamos? É na mãe natureza que encontramos o doce colo de embalar para o corpo massacrado pelo dia a dia que nos obrigam a viver. É na sombra das suas árvores que repousamos do calor abrasador das carências humanas, da revolta da subsistência que tarda em chegar para parte da Humanidade. Será ao som das pequenas aves que caminharemos nas mansas águas do ribeiro da vida que nos irá levar para rumo desconhecido, mas lá chegados encontraremos aquilo que a terra não pode dar, mas que o seu Criador prodigaliza para todo o ser criado: o amor eterno.

sábado, outubro 11, 2008

Sonhos, só sonhos

Sonhei que os portugueses não eram o povo mais pobre da Europa. Sonhei que vivia no ano de 1972 e Portugal estava a crescer e não ia parar. Sonhei que nos últimos cinquenta anos este País teve políticos competentes a gerir o seu destino. Sonhei que vivia feliz neste jardim à beira mar plantado. Sonhei que havia justiça para todos. Sonhei que tinha um Governo que zelava por este povo. Sonhei que tinha segurança em casa ou na rua, de dia ou de noite, na minha terra ou longe. Sonhei que havia amor para dar e receber, só que acordei exactamente após essa sonolência tão prolongada. A última coisa de que me lembrava era de ver toda a gente a sorrir, alegre e feliz. Mas agora estou acordado e sinto que tudo isso é mentira. Como não desejo viver num Mundo assim, vou tentar recordar apenas que tenho - todos temos - muito amor para dar, mas também para receber. É necessário reflectir e agir, dando aos outros aquilo que temos. Vamos ter esperança e lutar com pensamento positivo. Dar aos outros o que não nos faz falta é sempre importante, mas é mais sublime dar-mo-nos sem nada esperar em troca. Há muita gente com necessidades materiais, mas há muito mais com falta de afecto, de verdadeiro amor. De que estamos à espera?

quarta-feira, setembro 24, 2008

Espelho da alma


Mulher, porque tapas o rosto?

É por prazer ou vergonha?

Será para teres privacidade?

Teus olhos são lindos, imanam luz celeste

Teu olhar reflecte sentimentos

Transparece amor e ódio

Desejo de paixão profunda

Esperança num amor que já tens

Ou no que ainda procuras?

Recato de um rosto escondido

Por amor não correspondido?

Deixa-me fixar tuas pupilas

Reflectir em teus receios

Ir às profundezas da tua alma

Fazer lá o meu ninho de amor

Gozar dos teus sentidos

Olhar contigo para o Mundo

Abraçar o teu desespero

Estreitar todo o teu amor

Sorver tão doce deleite

Mesmo que tal me cause dor

A mágoa de não te poder ter

O desejo ardente de te possuir

São esperanças que sempre terei

Mesmo que me queiras banir

O sol continuará a brilhar

Tu continuarás a olhar

Eu nunca deixarei de o sentir

Talvez um dia me recebas

Permitas que meus olhos brilhem

Em mim cries sentimentos

Que para sempre serão seguidos

Áquem ou além, pouco importa

Minha alma será gémea

Do teu olhar penetrante

Mesmo que fiques distante

Eu estarei sempre presente

Aqui, agora e para sempre

quinta-feira, setembro 11, 2008

A Verdade


Sete letras formam a palavra verdade. No dicionário português a definição para verdade corresponde a: conformidade da ideia com o objecto; do pensamento com a expressão; do facto narrado com a sua realidade; qualidade do que é verdadeiro; realidade; coisa certa e verdadeira; boa fé; sinceridade. Certamente poderíamos acrescentar mais expressões significativas, mas é desnecessário. O que o dicionário não diz é que o ser humano interpreta o conceito de verdade da forma que mais lhe convém, vemos isso diariamente. Dissecar sobre a verdade daria para escrever muitos livros e mesmo assim seriam insuficientes. Tudo o que é simples não merece um tratamento tão expressivo, pois pode parecer que perde a sua substância, o que não corresponde à realidade das coisas.
Quando comecei a escrever este texto pensei em muitas coisas que poderiam ilustrar a verdade, mas na realidade tive dificuldade em articular os sentidos na procura de uma imagem que, porventura, pudesse consubstanciar a verdade. Acabei por escolher uma foto de água límpida de uma ribeira envolta por grandes pedras. O significado é óbvio. Todos nós somos livres para aceitar, defender e praticar a verdade, praticar sim, pois a verdade pratica-se. A verdade é um bem precioso, inestimável e pode ser um factor de união da humanidade, assim como a mentira é um mal execrável, podendo ser uma forma de divisão desumana e até cruel.
A nossa sociedade actual não dá valor à verdade, mas viver sem ela é impossível. Vida sem verdade não é vida. Dizer sim quando deve ser e não quando tem de ser não é fácil, pois por vezes tem que ser contra tudo e contra todos. Vergílio Ferreira diz no seu livro Pensar: berra o teu sim ou o teu não e deixa aos fracos o talvez. Os erros passam, mas a verdade fica porque faz parte do nosso ser.
No dia a dia somos confrontados com a falta de verdade que nos surge de todos os quadrantes, a comunicação social que entra em nossas casas veicula mais a mentira que a verdade, utilizando muitas vezes as meias verdades para vender o seu peixe. Em Portugal – e no Mundo – há uma classe de pessoas que, em permanência, faz o jogo interpretativo da verdade de uma maneira peculiar: os políticos. Eles não “mentem” – sabem que, por chamar mentiroso a alguém, o sujeito pode processar-nos? - apenas não dizem a verdade, na maior parte dos casos, contornando-a.
A apreciação que o escritor Eça de Queiroz fazia em 1867 dos políticos de então assenta bem – ainda hoje – à nossa classe política:
“Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expedientes. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha.
Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867).
Apesar do que acima fica dito, ainda penso que não devemos generalizar, mas a excepção à regra é muito reduzida. Os povos têm direito à verdade e nem o Estado se deve sobrepor a tal disposição. Democracia e liberdade não são incompatíveis com a verdade e devem ser respeitadas pelos governantes até ao limite, só assim terão direito ao apreço do povo que governam.

sexta-feira, agosto 29, 2008

As grades da vida

Nascemos, vivemos e morremos, a isso se resume a vida de cada um de nós. É na infância que começamos a sentir o gosto do querer e lentamente, qual fruta que vai amadurecendo, também fazemos planos, traçamos objectivos. Enquanto jovens assumimos que desejamos o que é bom, copiamos os modêlos que nos seduzem, interiorizando a sua forma de ser e estar na vida. Mas à medida que vamos crescendo, os adultos colocam-nos grades e passamos a ver o mundo através de uma janela aberta, mas vedada pelo ferrete das carências. Cedo nos apercebemos que a felicidade não passa de uma quimera, mas aqueles que conseguem forjar uma personalidade ousada não esmorecem, lutam na esperança de a encontrar. Todo o ser humano tem direito a ser feliz, mas os homens negam-nos esse direito diáriamente. A sociedade tem normas e leis que são feitas para os poderosos, esquecendo os outros. Quanta responsabilidade têm aqueles que governam as nações e que aplicam as leis onde não se reflete a justiça e os direitos do ser humano. Quem me dera ser jovem para ao menos ter uma ponta de esperança nos homens que fazem as leis e nos políticos que as aplicam. Quem me dera não verter lágrimas de dor ao olhar para o que me rodeia, agora que estou no Outono da vida. Aguardo a chegada do comboio que me levará para o destino marcado e que é comum a todos os mortais. Para aqueles que estão na primavera da vida eu quero deixar um conselho: não desistam de lutar por uma vida melhor, mesmo que tenham de o fazer no interior de uma janela com grades. Lá fora o mundo é dos audazes, dos que não perdem a esperança, mas é do interior que cada um a amassa.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Solidão

Teu lugar continuará vazio
Em ti jamais me sentarei
Quero estar pronto no Estio
Mas só de pé me manterei
*
Quando chegares irmã morte
Encontrar-me-ás à espera
Leva-me em tua sorte
Serei tudo menos o que era
*
Em pé continuarei a ser eu
Firme nas convicções vividas
Só hirto e gelado serei teu
Qual esfinge de feições lívidas
*
Corpo despido de matéria
Serei apenas alma do Criador
Longe estará a miséria
De uma vida sem amor
*
Esperança é porto firme
Luz é lugar perene
À vida das trevas serei imune
Com o meu Senhor ao leme
*
Voarei para lugar marcado
Sem amarras e sem asas
Deixarei o meu pecado
Levitando sobre as casas
*
Sem pés caminharei
Sem braços abraçarei
Àquele que me receber
Meu coração entregarei
*
Parece irreal mas chama-se lucidez
O pensamento é livre e divaga
Sempre quis a pura nudez
Mesmo que seja uma verdade amarga
*
Para além da morte há vida
Qual será o seu sentido?
Pergunto porque tenho dúvida
Ai de alguém que me tenha mentido
*
Se for verdade rejubilarei
Mas se for mentira revoltar-me-ei
Apesar disso pouco me importa
Porque na verdade não sei onde estarei


ES

domingo, agosto 10, 2008

Tempo de ter Tempo

É tempo de dar tempo. É tempo de reeniciar o contacto com os amigos da blogosfera. É tempo de visitar aqueles que me acompanham desde há muito. É tempo de dar e receber amizades, umas que perduram , outras que ficaram pelos caminhos estreitos do tempo. É tempo de arranjar um pouco de tempo, mesmo que ele seja escasso. Sinto a falta do contacto com aqueles que sintonizam a mesma onda, por isso utilizei agora algum tempo para dar um tempo do meu tempo. Tempo que não é meu, tempo que me foi oferecido por Deus, tempo que sinto necessidade de disciplinar, pois só dessa forma o poderei aproveitar. Vou tentar disponibilizar um pouco do tempo, mesmo daquele que me faz falta, para poder estar por aqui. Afinal, cada dia tem 24 horas, o que equivale a 1.440 minutos, de facto são muitos minutos, é muito tempo. Mas este tempo multiplicado pelos anos que vivemos, quantos minutos dará? Cada um que faça as contas, eu não as fiz, mas vou passar a contabilizar. Terei que disciplinar e racionalizar o meu tempo, mas espero em Deus que tenha tempo para o fazer. Mas não estarei já a perder tempo de mais? Espero que não, aproveitem bem o tempo, é a única coisa que temos de graça para gerir, mas cuidado, não o deixem fugir. Até breve.

domingo, março 23, 2008

Ressurreição

Eu sou a ressurreição e a vida, disse Jesus. Em dia de Páscoa é bom recordar estas palavras. Tão atarefados andamos com o dia a dia que, mesmo sem o desejarmos, esquecemos o essencial da vida, o que de bom ela tem. Para os cristãos este é o dia da afirmação e da confirmação. Cristo viveu, morreu e ressuscitou para nos dar Vida. A vida que está em cada um de nós e aquela que nos rodeia. Respeitemos a vida no seu todo, flores, plantas, animais, meio ambiente, mas sobretudo respeitemos a Vida dos outros, só assim teremos direito a que respeitem a nossa.

sábado, fevereiro 16, 2008

Somos pó



"Lembra-te que és pó. E ao pó retornarás". A frase é do livro de Eclesiastes e tem a finalidade de lembrar ao homem a sua condição perecível e transitória neste Mundo. A Igreja católica recorda-a em quarta-feira de Cinzas apelando aos crentes no sentido da penitência. Para católicos ou não, esta é uma realidade intransponível, independentemente da sua vontade. A matéria humana de que somos feitos tem o seu princípio e fim. No entanto, enquanto vida, é solidificada pela alma que, essa sim, permanecerá para sempre. Porém, será lícito que me respondam: isso é uma questão de fé, também é verdade, mas sem fé nada conseguimos e através dela mantemos a esperança na luta por uma vida melhor, acreditando que existe algo mais para além de um corpo que se tornará em pó. Abençoados aqueles que acreditarem, disse o Senhor. Estas palavras vêm no contexto da Vida que o Criador nos concedeu. Nada - no sentido material e da compreensão humana - nos prova que haja vida para além da morte, por isso a fé é um dom de Deus e como tal devemos cultivá-la. A Igreja católica, pela voz da bispo do Porto, D. Manuel Clemente, advoga que para esta quadra quaresmal (o tempo de preparação para a ressurreição do Senhor) as ofertas dos fieis sejam canalizadas para "tudo quanto defenda e promova a vida, da concepção à morte natural". Instituições de solidariedade social que promovam a assistência à terceira idade, apoio aos toxicodependentes ou combatam a prostituição, poderão ser contemplados pela sua acção. É uma forma digna e eficaz de apoiar a Vida. Todos nós, católicos ou não católicos, temos em consciência a obrigação de apoiar a Vida que é um valor supremo - mesmo que a sociedade não o faça e os poderes constituídos não assumam o seu dever em promovê-la, apoiá-la e defendê-la. Cristo morreu para nos dar a Vida, não desistamos dela e teremos a devida compensação. Paz e bem para todos.

domingo, janeiro 20, 2008

Água de Fátima

Vamos dialogar um pouco sobre a água de Fátima, mais concretamente, sobre a água que muitos milhares de peregrinos levam como recordação ou para uso e da qual se abastecem nas torneiras existentes em redor do monumento ao Coração de Jesus, no recinto do Santuário de Fátima. Quando ainda tinha no ar o blog "Fátima cidade de acolhimento", um internauta perguntou-me se a mesma era natural (de poço, entenda-se). Assim é. Esta água, à qual muitos atribuem poderes milagrosos, é proveniente de um poço que foi descoberto muito antes das obras da antiga basílica e que após essa construção ficou soterrado, mas incólume e preservado. O monumento ao Coração de Jesus (que vemos na imagem acima) foi construído sob o poço e à sua volta colocadas torneiras, permitindo dessa forma que os peregrinos a utilizassem. Sabemos - por fonte fidedigna do Santuário de Fátima - que este poço é de água nascente naquele local, mantendo a pureza natural e cuja qualidade é analisada e avaliada periodicamente pelos responsáveis. Quanto aos poderes milagrosos que muitos peregrinos lhe atribuem é uma questão de fé pessoal, mas lembramos que quer no Antigo quer no Novo Testamento, são descritas curas milagrosas através da sua ingestão ou simples banhar. A fé continua a ser um dom de Deus transmitido ao Homem e este absorve ou não, segundo a sua liberdade de entendimento e opção.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Balanço de 2007

Foto: Notícias de Fátima

Nada melhor para primeiro post do ano de que começar por fazer o balanço do anterior. No ano de 2007 comemoraram-se 90 anos das aparições de Nossa Senhora. O Santuário de Fátima organizou diversos eventos de carácter formativo, informativo e cultural ao longo do ano, como congressos, conferências, colóquios, exposições e espectáculos diversos, com destaque para a música e teatro religioso, isso para além das cerimónias habituais destinadas aos peregrinos. Pela relevância, há duas realizações que merecem especial destaque: Os Congressos Internacionais. O primeiro que ocorreu de 9 a 12 de Maio sob o tema "Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo" e o segundo de 9 a 12 de Outubro sobre: "Fátima para o Século XXI". Qualquer destes eventos reuniu personalidades da Igreja e leigos de diversos quadrantes para tratar e debater o papel das aparições na vida da Igreja e do Mundo moderno. O congresso de Maio envolvendo aspectos de índole pastoral e o de Outubro de natureza científica, mas qualquer deles de primordial importância. Para encerramento das comemorações esteve presente o Legado do Papa, Cardeal Tarcisio Bertone, que presidiu não só ás cerimónias da peregrinação de Outubro, como à bênção da nova Igreja da Santíssima Trindade, obra de grande vulto. Uma nota final a reter: Tudo indica que Fátima deverá ter recebido neste ano de 2007 o maior número de visitantes até agora, um número não inferior a cinco milhões de peregrinos, embora seja um dado estatístico ainda a confirmar.

sábado, dezembro 29, 2007

BOM ANO 2008

recados para orkut

Uma bonita imagem dispensa palavras, apesar disso, esta quadra merece algo mais. Quero endereçar uma saudação amiga a todos (as) aqueles (as) com quem ao longo do ano fui percorrendo este caminho virtual, acrescentando o desejo muito sincero de que este Novo Ano seja aquilo que cada um de vós deseja.

domingo, dezembro 23, 2007

Boas Festas


Escolhi esta imagem para a minha mensagem de Boas Festas. É um modelo feito em barro e executado pelas Irmãzinhas de Jesus. É uma peça que nos inspira ternura, mas com requintes de criatividade, própria daquelas que se consagram à difusão da palavra de Deus em toda a sua plenitude, mesmo que seja através da feitura de obras. É uma imagem simples, mas elucidativa.
As palavras que quero transmitir a todos neste Natal vão neste sentido: SILÊNCIO. Com tanto barulho - próprio da quadra - quantas vêzes nos esquecemos que o silêncio é o princípio de tudo. Quem souber escutar e meditar, saberá viver. O Menino que nasceu em Belém há mais de dois mil anos, escolheu uma humilde cabana (curral?) para se tornar no Deus feito homem. Humildade, pobreza e amor, foram as primeiras palavras que me ocorreram para descrever o nascimento do Menino. Hoje sabemos que Ele nasceu, viveu e ressuscitou, mas com uma finalidade: aproximar os homens de Deus. Que a sua mensagem de amor toque em cada um dos nossos corações e que esse amor se espalhe e beneficie tantas pessoas como a quantidade de grãos de areia que formam o deserto.

domingo, novembro 25, 2007

Amor Maternal



Amor que antes de o ser, já o era
Primeiro que desejado, sentido
Nasceu das profundezas do ser
Hibernou no coração de mulher
Amor maior que o universo
Sem passado nem futuro temporal

Amor que gera amor
Fruto sublime de um sentir
Desejo de um viver e morrer
União perene de dois seres
Coração e mente em sintonia
Elevação comum sem o ser

Amor com cores de arco-íris
Sensibilidade de pétala de rosa
Olfacto de perfume deleitoso
Caminho nunca antes percorrido
Vaga ondulante que recebe e dá
Entrega-se na plenitude e se espraia

Amor de alegrias e tristezas
Numa vida que não termina
O sofrimento caldeia a sede
Em turbilhões de ansiedade
Ausência não representa perca
Significa apenas saudade

Amor que dizem ser sentimento
Entrelaça quem o deseja
Aumenta o elo sagrado
Desde dois ao infinito
Qual areia do deserto
Como fogo que queima a alma

Amor que adere suavemente
Macio como algodão em rama
Leve como plumas a esvoaçar
Forte como um abraço
Daqueles que querem amar
Olhando apenas o espaço

Amor que não tem palavras
Apenas gestos, afectos e olhares
Enlevo de um ser que se absorve
Que se esquece de si próprio
Estende as mãos e diz
Anda, contigo sou feliz



É um poema singelo que dedico a todas as mulheres que tiveram a coragem de ser mães e como tal merecem a gratidão de cada um de nós. Eduardo Santos

terça-feira, novembro 13, 2007

Abra o seu coração aos outros

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Esta mensagem é dirigida apenas às pessoas de boa vontade. O Natal, tempo de paz e amor, está próximo. Excelente ocasião para abrir o nosso coração aos outros, àqueles que até poderão estar ao nosso lado. Aos que sofrem pela falta de pão, de amor, de justiça. A todos que, de algum modo, sentem no corpo a falta de humanidade desta sociedade que apenas se preocupa com o seu próprio bem estar, esquecendo os mais pobres e indefesos. Se cada um de nós for capaz de aceitar este desafio, então poderemos ter um Mundo melhor.

segunda-feira, outubro 15, 2007

90 anos após as aparições de Fátima


Ao fechar o ciclo das comemorações dos 90 anos das aparições de Fátima, achamos por bem encimar este post com a Cruz Alta, imagem simbólica que se manteve no Santuário da Cova da Iria durante algumas décadas e que era também ponto de encontro de muitos peregrinos de Fátima. Era lugar emblemático para quem chegava, dali rumavam a caminho da Capelinha das Aparições e da Basílica para fazer as suas orações e/ou cumprir as promessas feitas à Virgem. Hoje, aquele espaço tem um embelezamento diferente e porventura com um aproveitamento mais adequado aos tempos que correm. A nova igreja da Santíssima Trindade, uma construção de linhas modernas e funcionais que foi sagrada pelo legado do Papa, Cardeal Tarcisio Bertone em 13 de Outubro passado.
Vamos recordar sucintamente um pouco da história de Fátima. 13 de Maio de 1917: Nossa Senhora aparece envolvida num manto de luz sobre a copa de uma carrasqueira - azinheira de pequeno porte - a três crianças: Lúcia, Francisco e Jacinta.
Três pastorinhos que guardavam os rebanhos no lugar de Cova da Iria, local onde a Senhora se manifestou e ás quais transmitiu uma mensagem que poderemos resumir em duas palavras: penitência e oração. Francisco Marto faleceu em 04 de Abril de 1919 e Jacinta Marto em 20 de Fevereiro de 1920, ambos cumpriram heròicamente a sua missão e foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 13 de Maio de 2000 no Santuário de Fátima, onde os seus restos mortais se encontram sepultados. Lúcia ainda viveu até 13 de Fevereiro de 2005. Faleceu em Coimbra e foi trasladada para a Basílica de Fátima em 19 de Fevereiro de 2005, encontrando-se tumulada ao lado de sua prima, Beata Jacinta Marto. Lúcia, foi a vidente escolhida por Nossa Senhora para viver e transmitir integralmente a sua mensagem. Ingressou com 14 anos - 4 anos após as aparições - num colégio do Porto que era dirigido pelas religiosas de Santa Doroteia. Mais tarde, em 1928, foi para Tuy onde fez a profissão de fé religiosa, tendo recebido os votos perpétuos seis anos depois. No ano de 1948 entrou para o Carmelo de Santa Tereza, em Coimbra, onde veio a falecer aos 97 anos. Uma vida inteiramente dedicada à contemplação mística e difusão da mensagem que Nossa Senhora lhe confiou para transmitir ao Mundo.
Em 13 de Outubro de 2007 findaram em Fátima as comemorações das aparições de Nossa Senhora. Sua Santidade, o Papa Bento XVI, nomeou seu legado ás cerimónias comemorativas o Cardeal Tarciso Bertone. O Santuário de Fátima organizou um vasto programa com incidência formativa, informativa e cultural desde o ano transacto, culminando com a organização do Congresso Internacional "Fátima para o Século XXI" de 9 a 12 deste mês. A benção da Igreja da Santíssima Trindade foi um dos pontos altos das comemorações desta peregrinação de Outubro.
90 anos após as aparições de Fátima, a mensagem da Senhora continua a ser um desafio para os portugueses e para o Mundo, assim cada um de nós a compreenda e ponha em prática.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Paz e Bem

Paz e Bem é uma saudação que é usada habitualmente pelos membros da Ordem Franciscana. Tenho um grande amigo - de longa data - que dedicou a sua vida à Ordem fundada por S. Francisco e ao longo dos anos esta saudação foi entrando na minha vida. Estranho, não é? Hoje também eu gosto de a utilizar para com os meus amigos.
Mais de dois mêses e meio após ter sido submetido a uma pequena intervenção cirúrgica, mas cuja recuperação ainda está em curso e me tem impedido o dia a dia rotineiro obrigando-me a alterar hábitos de vida, eis-me novamente a trabalhar este cantinho. Quis acompanhar esta entrada com uma foto que tirei recentemente no recinto do Santuário de Fátima e que ilustra os meus votos através de uma criança que corria atrás de uma pomba - que para muitos é um símbolo da Paz. A minha interpretação é simples: se queremos a paz, teremos que a procurar, mesmo que seja preciso correr até lá chegar. É intuitivo para qualquer ser humano.
Como poderão confirmar, decidi avançar para uma remodelação visual e objectiva deste blog: mais simples e tendo como função ser útil àqueles que me visitam. Como é perfeitamente natural deu-me bastante trabalho, mas fico feliz por, de alguma forma, poder colaborar com aqueles que o desejarem. Há dezenas de anos que exerço o meu trabalho em Fátima e portanto possuo o conhecimento das gentes e do meio. Concluo estas explicações para dizer que este espaço continuará a ser pessoal e personalizado, mas aberto não só quanto aos assuntos que tratarei - com mais incidência nesta cidade - mas também ao diálogo que desejo continuar a manter com todos aqueles que fazem o favor de me visitar. Creio ter dito o suficiente quanto à minha disponibilidade, usem e abusem - desde que mantenham o mesmo espirito, melhor ainda. Brevemente começarei a visitar os amigos, na medida da racionalização de tempo e tarefas que nesta ocasião são o meu dia a dia.
Só uma nota final para todos aqueles amigo(a)s de quem tenho awards: oportunamente espero arranjar um espaço para os colocar, pois foi necessário retirá-los para que o blog não ficásse muito "pesado", no entanto os links ficarão no seu lugar. Paz e Bem para todos.

segunda-feira, julho 02, 2007

Primavera e beleza, sempre!


Fui sempre um apreciador da beleza, onde quer que ela se manifeste, através das pessoas ou das coisas. As flores é algo que sempre me encantou, sou um admirador confesso da flora que a mãe natureza nos oferece e que por vezes encontramos nos lugares mais recônditos. Mas minhas deambulações na procura de novas espécies, por caminhos onde a vegetação cresce naturalmente e com acessos restritivos, já havia deparado com a flor que encima esta postagem. Na primavera este e outros tipos de flores adornam os nossos campos, serras e caminhos, dando um ar colorido e alegre. Surgem em plena primavera e vão desaparecendo com o ar seco e quente do verão. A foto que hoje apresento foi obtida há pouco mais de quinze dias e revela-nos uma orquídea na sua pujança. É bem diferente daquelas que conhecemos - e que muito aprecio - produzidas na Ilha da Madeira. Estas nascem espontâneamente nos nossos campos incultos ou nos montes, mas vejam a beleza que ostentam. É por isso que a primavera e a beleza se complementam. Hoje é um dia muito especial para mim e como gosto de oferecer aquilo que mais admiro, escolhi esta singela flor do monte. Vai acompanhada dos meus desejos sinceros de que cada um de vós nunca perca de vista a beleza que as coisas e as pessoas têm, umas vezes visíveis, outras ocultas, mas ela está lá, só temos que a procurar.

quarta-feira, junho 13, 2007

Levar a boa nova



Há imagens que não precisam das palavras dos poetas para as descrever e nos cativar. Aqui temos uma delas. Há momentos na vida em que a esperança parece estar muito longe, outras em que ela se transforma em vida.
Há momentos em que estamos alegres, outros em que somos abatidos pela melancolia e tristeza. A vida é composta por tudo isso, mas com tristeza ou alegria não deixa de ser linda. Sabe bem viver, acordar todos os dias após uma noite em que o tempo parou. É tão bom levantar da cama e recomeçar a vida, a fazer o mesmo ou coisas diferentes, mas continuar a viver. É bom traçarmos objectivos em relação ao que queremos da vida, mesmo que nunca os alcancemos. É bom manter a esperança na luta por uma vida melhor, mesmo que nunca o consigamos atingir. O segredo de viver bem a vida está em aceitá-la tal qual ela é, mas sem nunca perder a esperança, tal como a ave que ao despertar pela manhã nunca sabe onde vai encontrar o comer, mas procura, procura e encontra sempre. Olhai os lírios do campo e as aves do céu como eles vivem a vida à sua maneira e como são felizes. Que beleza tem o entardecer e em quão exuberante se tranforma a aurora. Como as aves, as plantas, os riachos, a montanha, o azul do horizonte nos enleia na vida. Como vagueia e fica feliz o nosso espírito quando contempla as belezas que a natureza nos proporciona. Tudo isto não será vida? Que esperamos para vivê-la? É só dizer: SIM.