Comemora-se hoje o Dia Mundial da Luta contra a Sida. Desde que surgiu - ou passou a ser conhecida como tal - esta doença há 25 anos, não parou de aumentar o número de vítimas por todo o mundo. Governos, instituições, personalidades, doentes e familiares mantêm uma luta cerrada para combater o flagelo. Estima-se que a sida já tenha sido a causa de morte de 25 milhões de pessoas em todo o mundo e que o número de infectados com o HIV se cifre em cerca de 40 milhões. De acordo com o relatório da UN/OMS, a sida é a doença mais mortal da história da Humanidade. É arrepiante esta informação e os números são impressionantes.África é o continente com mais infectados logo seguida da Ásia. Na África do Sul há mais de 240 mil infectados com menos de 15 anos, o que significa que a doença está atingir cada vez mais os jovens. As perspectivas futuras não são animadoras, a Onu/Sida avança que a epidemia continuou a aumentar no ano de 2006 a nível mundial. Portugal não é excepção. Entre 52 países europeus, Portugal ocupa o segundo lugar no número de novos casos de infecção. A sida no nosso país deverá atingir cerca de 60 mil infectados, sendo o único país europeu em que a mortalidade por esta doença permanece sem descer. Segundo estudos da Aidsportugal, morrem três pessoas por dia, vítimas desta doença.

Os gastos no tratamento desta doença no nosso país poderão equivaler a um valor de 504.7 milhões de euros/ano para este número de atingidos. São as contas que a Associação GATportugal avança. Portugal é o único país da Europa onde a principal causa de morte para homens entre os 24 e 39 anos é a sida. É um recorde de que não nos podemos orgulhar e que teremos de combater ferozmente. O Governo português tem um "Programa Nacional de Prevenção do VIH/SIDA". De acordo com as palavras do seu actual coordenador, Henrique Barros, "não fomos ainda capazes de diminuir claramente o número de doentes com sida ou que morrem com a doença". É uma constatação de que o problema é complexo e cuja resolução não está à vista. O programa agora lançado pretende: "prevenir a doença, garantir tratamento de qualidade e promover uma resposta social eficaz". Façamos votos para que tenham os meios adequados para tal e um mínimo de êxito que nos permita manter alguma esperança para o futuro.

A organização Mundial de Saúde refere que "existem enormes falhas e desafios a necessitar de resposta". A prevenção é dos aspectos mais importantes. Seja a abstinência sexual, como defendem alguns; a educação sexual que outros consideram primordial com ou sem uso do preservativo. Há factores de alto risco que é necessário corrigir, casos das drogas injectáveis ou relações sexuais não protegidas, mas tudo isto será muito pouco se cada um de nós não reflectir nas consequências desta doença. Há uma responsabilidade colectiva, sobretudo dos Governos, mas a nossa - individual, de cada cidadão - é inalienável. Como diz o povo: não podemos passar a bola. Temos obrigação de estar devidamente informados, ajudar os outros na obtenção dos meios que lhes permitam fazer frente à doença e nunca ser indiferentes àqueles que a têm e podem precisar da nossa colaboração. A solidariedade para com os outros não pode ser palavra vã. Vamos lutar por esta causa, segundo as nossas possibilidades mas, também, de acordo com as nossas obrigações de cidadãos do Mundo.