
Menina que estás à janela..., assim começa uma canção bastante popular que enfatiza a forma como os jovens namoravam no século passado. Os rapazes não tinham liberdade para sair com as suas "amadas", namoravam apenas aos Domingos e normalmente de fora das casas. Ainda tive oportunidade de constatar isso na década de 60, elas à janela e eles cá em baixo na rua de pescoço esticado e olhar fixo na janela, e era assim que namoravam. Mais tarde já os jovens podiam ir a casa das moças, mas era preciso a autorização dos pais e quando tal acontecia, havia sempre uma mãe extremosa que ficava por perto a ouvir a conversa e vigiar os "pombinhos", não fosse haver algum avanço do moço atrevido. Quando o tempo de namoro já era razoável, então os jovens podiam sair, mas havia sempre alguém que os acompanhava, um irmão, uma prima, um amigo ou amiga - o nome próprio para esses acompanhantes era "pau de cabeleira", não me perguntem o significado, porque sinceramente não sei -pois os pais queriam que as suas filhas não se "transviassem". Lentamente a sociedade foi evoluindo e esses hábitos caíram em desuso, mas a verdade é que é salutar lembrar esses tempos e porque não fazer a comparação com a forma como hoje se processa o namoro? De facto a similaridade quase não existe, actualmente nem é preciso namorar para casar, mas perdeu-se o romantismo e encanto que tal representava. Casava-se pela igreja, era uma festa familiar e social, havia uma "lua de mel" para o jovem casal que mal se via livre das obrigações encetava a fuga. Mas muitos tinham à espera as "partidas" dos amigos: latas penduradas em pontos estratégicos do carro que quando se punham em marcha assinalavam ruidosamente a arrancada e constituíam gozo para os autores da partida. Quantas vezes os carros eram pintados com as mais diversas inscrições, mas tudo isso era aceite pelos noivos como complemento normal do enlace. Se o casamento era em dia de chuva, alguém sentenciava: casamento molhado é casamento abençoado, vão ser felizes. Usos, factos e coisas que passaram à história, mas que sabe bem recordar nos tempos que correm.
Nota: Para os mais saudosos deixo a música de Vitorino que poderão encontrar no fundo do blog.