
Começou por arranjar aviões de papel e passava o tempo a entusiasmar os colegas de brincadeira no jardim a fazer competições, o objectivo era para ver quem o conseguia atirar mais longe.
Mais tarde, começou a fazer papagaios de papel, de cores garridas e longas caudas, era vê-lo a levantar o papagaio, a correr, correr cada vez mais, para que ele voasse o mais alto possível.
Naquela tarde, passara horas seguidas até conseguir ver o seu papagaio bem alto, quase a perder de vista, para alegria dos seus companheiros, e com um gozo sem fim, ele gritava: consegui, olha como o meu papagaio voou mais alto que todos, não é uma maravilha, perguntou. Os colegas de brincadeira acenavam que sim e todos queriam pegar no papagaio e correr um pouco.
Chegou a noite e o nosso André foi para casa e disse à mãe: mamã, hoje fiz um papagaio que voou até às nuvens, devias ter visto! Foi tão lindo.
Depois de jantar, vestiu o pijaminha, escovou os dentes e foi deitar-se. Nessa noite, sonhou tanto que no dia seguinte não foi capaz de descrever à mãe tudo o que havia passado, mas ainda conseguiu lembrar-se de algumas coisas.
Houve uma que não esqueceu e contou à mãe. Sabes, mamã, eu sonhei que tinha um guarda-chuva e que com ele voava como o Peter Pam, fui para muito longe, uma terra linda, com muitos lagos e patos, muitas flores e borboletas de todas as cores, era tão belo mamã, como eu gostava de lá estar.
Quem diria que um guarda-chuva faria uma criança tão feliz, pensou a mãe, sorrindo e afagando com carinho a cabecita do André.
Este texto que produzi, meio conto e ficção, faz parte da blogagem colectiva do "Desafio Lúdico III", proposta do "Anseios da Alma".