segunda-feira, agosto 25, 2008

Solidão

Teu lugar continuará vazio
Em ti jamais me sentarei
Quero estar pronto no Estio
Mas só de pé me manterei
*
Quando chegares irmã morte
Encontrar-me-ás à espera
Leva-me em tua sorte
Serei tudo menos o que era
*
Em pé continuarei a ser eu
Firme nas convicções vividas
Só hirto e gelado serei teu
Qual esfinge de feições lívidas
*
Corpo despido de matéria
Serei apenas alma do Criador
Longe estará a miséria
De uma vida sem amor
*
Esperança é porto firme
Luz é lugar perene
À vida das trevas serei imune
Com o meu Senhor ao leme
*
Voarei para lugar marcado
Sem amarras e sem asas
Deixarei o meu pecado
Levitando sobre as casas
*
Sem pés caminharei
Sem braços abraçarei
Àquele que me receber
Meu coração entregarei
*
Parece irreal mas chama-se lucidez
O pensamento é livre e divaga
Sempre quis a pura nudez
Mesmo que seja uma verdade amarga
*
Para além da morte há vida
Qual será o seu sentido?
Pergunto porque tenho dúvida
Ai de alguém que me tenha mentido
*
Se for verdade rejubilarei
Mas se for mentira revoltar-me-ei
Apesar disso pouco me importa
Porque na verdade não sei onde estarei


ES

2 comentários:

-›¦‹-Sombras-›¦‹- disse...

Melancólico e sofrido, mas bonito o poema! Fica bem. Beijinhos, mil

Isabel disse...

Olá, querido Eduardo,
Agradeço a visita ao meu blog. Pois estamos na luta por um sonho. O Caminho de Santiago é um sonho que vive dentro de mim há tempos. Vou concretizá-lo, em abril/2010; falta um bom tempo ainda. Mas, desde a decisão, não sou mais a mesma. Um abraço.