segunda-feira, outubro 15, 2007

90 anos após as aparições de Fátima


Ao fechar o ciclo das comemorações dos 90 anos das aparições de Fátima, achamos por bem encimar este post com a Cruz Alta, imagem simbólica que se manteve no Santuário da Cova da Iria durante algumas décadas e que era também ponto de encontro de muitos peregrinos de Fátima. Era lugar emblemático para quem chegava, dali rumavam a caminho da Capelinha das Aparições e da Basílica para fazer as suas orações e/ou cumprir as promessas feitas à Virgem. Hoje, aquele espaço tem um embelezamento diferente e porventura com um aproveitamento mais adequado aos tempos que correm. A nova igreja da Santíssima Trindade, uma construção de linhas modernas e funcionais que foi sagrada pelo legado do Papa, Cardeal Tarcisio Bertone em 13 de Outubro passado.
Vamos recordar sucintamente um pouco da história de Fátima. 13 de Maio de 1917: Nossa Senhora aparece envolvida num manto de luz sobre a copa de uma carrasqueira - azinheira de pequeno porte - a três crianças: Lúcia, Francisco e Jacinta.
Três pastorinhos que guardavam os rebanhos no lugar de Cova da Iria, local onde a Senhora se manifestou e ás quais transmitiu uma mensagem que poderemos resumir em duas palavras: penitência e oração. Francisco Marto faleceu em 04 de Abril de 1919 e Jacinta Marto em 20 de Fevereiro de 1920, ambos cumpriram heròicamente a sua missão e foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 13 de Maio de 2000 no Santuário de Fátima, onde os seus restos mortais se encontram sepultados. Lúcia ainda viveu até 13 de Fevereiro de 2005. Faleceu em Coimbra e foi trasladada para a Basílica de Fátima em 19 de Fevereiro de 2005, encontrando-se tumulada ao lado de sua prima, Beata Jacinta Marto. Lúcia, foi a vidente escolhida por Nossa Senhora para viver e transmitir integralmente a sua mensagem. Ingressou com 14 anos - 4 anos após as aparições - num colégio do Porto que era dirigido pelas religiosas de Santa Doroteia. Mais tarde, em 1928, foi para Tuy onde fez a profissão de fé religiosa, tendo recebido os votos perpétuos seis anos depois. No ano de 1948 entrou para o Carmelo de Santa Tereza, em Coimbra, onde veio a falecer aos 97 anos. Uma vida inteiramente dedicada à contemplação mística e difusão da mensagem que Nossa Senhora lhe confiou para transmitir ao Mundo.
Em 13 de Outubro de 2007 findaram em Fátima as comemorações das aparições de Nossa Senhora. Sua Santidade, o Papa Bento XVI, nomeou seu legado ás cerimónias comemorativas o Cardeal Tarciso Bertone. O Santuário de Fátima organizou um vasto programa com incidência formativa, informativa e cultural desde o ano transacto, culminando com a organização do Congresso Internacional "Fátima para o Século XXI" de 9 a 12 deste mês. A benção da Igreja da Santíssima Trindade foi um dos pontos altos das comemorações desta peregrinação de Outubro.
90 anos após as aparições de Fátima, a mensagem da Senhora continua a ser um desafio para os portugueses e para o Mundo, assim cada um de nós a compreenda e ponha em prática.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Paz e Bem

Paz e Bem é uma saudação que é usada habitualmente pelos membros da Ordem Franciscana. Tenho um grande amigo - de longa data - que dedicou a sua vida à Ordem fundada por S. Francisco e ao longo dos anos esta saudação foi entrando na minha vida. Estranho, não é? Hoje também eu gosto de a utilizar para com os meus amigos.
Mais de dois mêses e meio após ter sido submetido a uma pequena intervenção cirúrgica, mas cuja recuperação ainda está em curso e me tem impedido o dia a dia rotineiro obrigando-me a alterar hábitos de vida, eis-me novamente a trabalhar este cantinho. Quis acompanhar esta entrada com uma foto que tirei recentemente no recinto do Santuário de Fátima e que ilustra os meus votos através de uma criança que corria atrás de uma pomba - que para muitos é um símbolo da Paz. A minha interpretação é simples: se queremos a paz, teremos que a procurar, mesmo que seja preciso correr até lá chegar. É intuitivo para qualquer ser humano.
Como poderão confirmar, decidi avançar para uma remodelação visual e objectiva deste blog: mais simples e tendo como função ser útil àqueles que me visitam. Como é perfeitamente natural deu-me bastante trabalho, mas fico feliz por, de alguma forma, poder colaborar com aqueles que o desejarem. Há dezenas de anos que exerço o meu trabalho em Fátima e portanto possuo o conhecimento das gentes e do meio. Concluo estas explicações para dizer que este espaço continuará a ser pessoal e personalizado, mas aberto não só quanto aos assuntos que tratarei - com mais incidência nesta cidade - mas também ao diálogo que desejo continuar a manter com todos aqueles que fazem o favor de me visitar. Creio ter dito o suficiente quanto à minha disponibilidade, usem e abusem - desde que mantenham o mesmo espirito, melhor ainda. Brevemente começarei a visitar os amigos, na medida da racionalização de tempo e tarefas que nesta ocasião são o meu dia a dia.
Só uma nota final para todos aqueles amigo(a)s de quem tenho awards: oportunamente espero arranjar um espaço para os colocar, pois foi necessário retirá-los para que o blog não ficásse muito "pesado", no entanto os links ficarão no seu lugar. Paz e Bem para todos.

segunda-feira, julho 02, 2007

Primavera e beleza, sempre!


Fui sempre um apreciador da beleza, onde quer que ela se manifeste, através das pessoas ou das coisas. As flores é algo que sempre me encantou, sou um admirador confesso da flora que a mãe natureza nos oferece e que por vezes encontramos nos lugares mais recônditos. Mas minhas deambulações na procura de novas espécies, por caminhos onde a vegetação cresce naturalmente e com acessos restritivos, já havia deparado com a flor que encima esta postagem. Na primavera este e outros tipos de flores adornam os nossos campos, serras e caminhos, dando um ar colorido e alegre. Surgem em plena primavera e vão desaparecendo com o ar seco e quente do verão. A foto que hoje apresento foi obtida há pouco mais de quinze dias e revela-nos uma orquídea na sua pujança. É bem diferente daquelas que conhecemos - e que muito aprecio - produzidas na Ilha da Madeira. Estas nascem espontâneamente nos nossos campos incultos ou nos montes, mas vejam a beleza que ostentam. É por isso que a primavera e a beleza se complementam. Hoje é um dia muito especial para mim e como gosto de oferecer aquilo que mais admiro, escolhi esta singela flor do monte. Vai acompanhada dos meus desejos sinceros de que cada um de vós nunca perca de vista a beleza que as coisas e as pessoas têm, umas vezes visíveis, outras ocultas, mas ela está lá, só temos que a procurar.

quarta-feira, junho 13, 2007

Levar a boa nova



Há imagens que não precisam das palavras dos poetas para as descrever e nos cativar. Aqui temos uma delas. Há momentos na vida em que a esperança parece estar muito longe, outras em que ela se transforma em vida.
Há momentos em que estamos alegres, outros em que somos abatidos pela melancolia e tristeza. A vida é composta por tudo isso, mas com tristeza ou alegria não deixa de ser linda. Sabe bem viver, acordar todos os dias após uma noite em que o tempo parou. É tão bom levantar da cama e recomeçar a vida, a fazer o mesmo ou coisas diferentes, mas continuar a viver. É bom traçarmos objectivos em relação ao que queremos da vida, mesmo que nunca os alcancemos. É bom manter a esperança na luta por uma vida melhor, mesmo que nunca o consigamos atingir. O segredo de viver bem a vida está em aceitá-la tal qual ela é, mas sem nunca perder a esperança, tal como a ave que ao despertar pela manhã nunca sabe onde vai encontrar o comer, mas procura, procura e encontra sempre. Olhai os lírios do campo e as aves do céu como eles vivem a vida à sua maneira e como são felizes. Que beleza tem o entardecer e em quão exuberante se tranforma a aurora. Como as aves, as plantas, os riachos, a montanha, o azul do horizonte nos enleia na vida. Como vagueia e fica feliz o nosso espírito quando contempla as belezas que a natureza nos proporciona. Tudo isto não será vida? Que esperamos para vivê-la? É só dizer: SIM.

terça-feira, junho 05, 2007

A pêra bêbeda

Confesso que nunca tive grande jeito para desenhar. Não é desprimor a falta de inclinação para a execução dessa arte, que aliás admiro. Sei apreciar e gosto de um bom desenho. Mas todos nós sentimos o que gostamos ou não de fazer e optamos. As minhas opções passam pelas letras, para além de outras mais secundárias.
Este desenho que produzi é um daqueles bonecos que fazia em tempos para "entreter" os meus filhos, fazia-os rir e eu alinhava na brincadeira desenhando peças de fruta com caras de "gente", como esta. Ao recordar esta fase que passou, estou a lembrar a meninice deles. É também uma forma de retorno à net e aos amigos/as de quem tive de me me afastar por alguns tempos. Será o mesmo que dizer: estou de volta, mas com um sorriso para cada um de vós.

quarta-feira, maio 16, 2007

A ver as estrelas...






Pois é verdade, estive trinta dias a ver as estrelas, ou seja, devido a uma avaria da linha telefónica não acedi normalmente à net, como era suposto poder fazer em função do pagamento do serviço. Portugal mais parece um país do terceiro Mundo. Mas vamos à situação. Tenho contracto com a PT Comunicações (PT-Portugal)que me fornece os serviços da linha telefónica. Nos primeiros dias de Abril avariou mais uma vez. Fiz a respectiva participação de avaria em 05.04.07 e aguardei naturalmente que a empresa reparásse a mesma. No entanto, chegou a certa altura que perdi a paciência, foi quando a companhia deu a avaria como reparada em 17.04.07 e eu continuava a não ter o serviço operacional. Pelo meio ficaram várias reclamações, bastante dinheiro gasto e uma constatação muito simples: os serviços da PT Comunicações funcionam mal. A avaria acabou por ser reparada em 04 de Maio - quase um mês após a primeira participação. Agora, com a situação normalizada, espero continuar a trabalhar este espaço e ter o prazer do contacto mútuo com todos aqueles que, como eu, encontram neste meio uma forma de diálogo e amizade. Até breve.

sábado, abril 07, 2007

Páscoa, tempo de viver


Falando de Páscoa, a flor que me liga a essa data é o lírio, com aquele roxo que nos faz recordar as vestes do Senhor dos Passos, tal como era apresentado na procissão da Semana Santa. É uma flor agradável, mas que nos incute um sentido de dor por estar associado à Paixão de Cristo. Mas é uma flor linda e com uma ternura especial. É com naturalidade que recordo a páscoa de outrora, daqueles anos em que jovem e bom rapaz (às vezes) assistia à celebração da efeméride na pequena aldeia onde nasci. Recordo ainda muitos pormenores tais como: a procissão e o encontro do Senhor com Sua Mãe ( Senhora das Dores); os sermões dos sacerdotes (naqueles tempos, muitas pessoas choravam ao ouvi-los); o compasso (a visita pascal do pároco de casa em casa). Da visita pascal recordo a azáfama das pessoas na preparação dos caminhos, atapetando-os com flores, muitas flores e folhagem verde, por onde a cruz e acompanhantes haveriam de passar na direcção das casas dos paroquianos. Já lá dentro, todos os habitantes da casa eram abençoados e beijavam o Senhor. Mesmo nas habitações mais pobres havia sempre algo sobre a mesa - doces, vinho, frutas - para a recepção ao enviado do Senhor. Era simbólico, mas marcou a minha juventude.



A cruz é o símbolo



A cruz é a expressão sublime do sofrimento de Cristo no seu amor pela humanidade. Foi por amor aos homens e mulheres de todos os tempos que Ele se imolou. É o mais puro dos amores em favor do próximo. A Igreja Católica comemora durante uma semana - a Semana Santa - a morte do Redentor. Foi uma morte para nos dar a Vida. É pelo exemplo da sua vida e morte na cruz que Ele nos pede para o seguirmos, fazendo também da nossa vida objecto de amor para com aqueles que nos rodeiam. Sendo Deus feito homem, sacrificou a sua vida como tal, pois só dessa forma poderia remir a humanidade.



Ressuscitou, aleluia


Esta pintura de Raphael expressa - em síntese quase perfeita - a Ressurreição do Senhor. Cristo viveu, morreu e ressuscitou. Ele que era Deus não precisava de se submeter à morte, mas fê-lo para que cada um de nós também obtivésse a Vida para além da morte. Estando mortos pelo pecado, cada um de nós poderá alcançar a vida plena pela via das boas obras. Aqueles que nos rodeiam, até os que estão longe, esperam por nós. Uma palavra de conforto na doença, uma mão estendida aos carentes de afecto, de pão, de justiça, afinal podemos fazer tanto pelos outros e vivemos centrados num egoísmo pessoal de punho cerrado, porquê?


Viver a Vida


Assim como a abelha trabalha incessantemente polonizando as flores para que estas possam gerar o fruto, assim nós teremos que voar de flor em flor, levando a palavra da boa nova do Senhor: amai-vos uns aos outros, como eu vos amei. Teremos que o fazer por palavras e por obras. A páscoa está próxima, em nossas casas haverá amêndoas, doces, talvez algumas iguarias. Enquanto nos deliciamos com tudo isto, milhões de pessoas estão a morrer à fome, estão doentes, carecem de algo que nos sobeja. Vamos continuar a ignorá-las? Será que teremos coragem para isso? Cada um de nós poderá ter uma melhor Páscoa se abrir o coração àqueles que não têm o necessário para o dia a dia. Quem sabe se essa pessoa não está a nosso lado, um amigo, um vizinho? Uma Boa e Santa Páscoa para todos.

quarta-feira, março 21, 2007

Dia Mundial da Poesia



Poesia não precisa de dia
Ela surge e o Homem sente
Poesia é o viver do dia a dia
É o sal que tempera a mente

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Poesia é o louvor do belo
É a cor inerte do infinito
Poesia é como longo cabelo
Em mulher de rosto bonito

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Poesia é água a sibilar
Que serpenteia no rio
Poesia é ave a voar
Por cima do casario

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Poesia é suspiro de musa
Ninfa cantada por Camões
Poesia é rosa que se usa
Para ofertar nos salões

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Poesia é o verde da manhã
Nascido após a aurora
Poesia é fruto, é romã
Alimento pela vida fora

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Poesia é a beleza das flores
Seu perfume que inebria
Poesia é louvor de todos os seres
Que emanam amor e alegria

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Poesia é caneta com que escrevo
Para exprimir meu sentir
Poesia é palavra de enlevo
Sai do coração sem mentir

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Poesia é este dia de primavera
Qual sol que aquece
Poesia não é quimera
É flor que nunca perece
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Poema de Eduardo Santos

Primavera de Botticelli

segunda-feira, março 19, 2007

Dia do Pai

Como já é habitual, fui recebendo ao longo do dia os parabéns dos meus filhos, um a um, por telefone e pessoalmente. Este é um dia especial para mim, mesmo quando algum deles porventura se esquece da data, isso não me incomoda, mas penso que raramente tal aconteceu. Sabe bem ao ego lembrar algo de positivo que fizemos na vida, sobretudo quando nos sentimos de consciência tranquila quanto ao esforço dispendido para o conseguir. Gosto que os meus filhos se lembrem de mim, não pelo facto de ser pai, mas porque tive a coragem de assumir essa qualidade e sempre lutei e me sacrifiquei para fazer o melhor que podia e sabia em prol deles. Reconheço naturalmente os erros cometidos, talvez que não tenha feito mesmo tudo o que devia, mas confesso que tentei e dei muito de mim para lhes abrir o caminho da vida. Não me arrependo do esforço e sinto satisfação por ter atingido alguns objectivos. Claro que devo muito à minha companheira, quantas vezes ela teve que ser mãe e pai - quando eu não estava em casa, por exemplo -, por isso sinto orgulho por mim e por ela. Os parabéns dos filhos são para os Pais e não para o pai, este é apenas uma parte de um todo a que chamamos família. Muito obrigado pelo vosso carinho.
Hoje já avô - como o tempo passou depressa - só posso sentir alegria por cada um de vocês, Helena, Maria José, Filipe e Tânia, dizer-vos que continuarão no meu coração e que peço a Deus para lhes conceder aquilo que desejem, especialmente o que for mais benéfico.

Nota: O desenho que encima este post é datado de 1977, trata-se de um pequeno cartão - que veio dentro de uma cartinha que conservo - oferecido no dia do Pai desse ano por uma das minhas filhas. Suponho ser o desenho da nossa casa e creio ter sido o primeiro "postalzinho" alusivo ao Dia que recebi. Nesse tempo, professores e educadores das escolas - foi lá que o desenho foi executado - tinham presente o papel da família, hoje não tanto, mas ainda conservam alguns bons exemplos, sobretudo os estabelecimentos de ensino particular. Este desenho constitui para mim um símbolo e como tal continuo a preservá-lo.

domingo, março 11, 2007

Sonho do além

Poesia será quando o Homem quiser

No azul infinito da esperança
Vagueiam nossos anseios desmedidos
Na luta diária da sobrevivência
Gastamos os nossos sentidos
***
Nuvens escuras escondem tristezas
De azul colorimos os desejos
Trilhamos caminhos de incertezas
Sonhamos amores benfazejos
***
Vida insípida do dia a dia
É a pedra do caminho
Numa etapa mais tardia
Colheremos o nosso destino
***
Um corpo sem alma teremos
Um dia sem vida vai nascer
Nas asas de anjos voaremos
Rumo ao poente no entardecer
***
Corpo não levaremos
O espírito substituiu o ser
Que fardo carregaremos?
Aquele que Deus nos der
***
Para além do infinito
Há a estação de permanência
Será um lugar bonito?
Ou princípio da nossa ciência?
***
Terra é mera passagem
Nascemos do nada feito ser
A vida é miragem
Que acaba sem se saber
***
O Mundo é terra de poetas
Mulheres e Homens que escrevem o ser
Sentem e vivem as letras
Amam na vida o doce alvorecer
*****

Poema de Eduardo Santos

Nota: Dia 11 de Março é um dia para recordar. Não no melhor sentido, mas é necessário não esquecer o mal que ocorre no Mundo para lembrar que a vida humana é sagrada e que não há Homem ou Mulher que tenha o direito de a eliminar. O poema que escrevi acima é um desejo e um hino à vida humana. À liberdade individual e colectiva. Só assim é possível, vida + liberdade + responsabilidade = amor pela vida e respeito pela do próximo. Quero dedicar este simples poema a Nancy Moisés que hoje comemora 1 ano no blog Lua em Poemas bem assim como a todos aqueles poetas que cantam, através da escrita, a liberdade humana de criar. É uma homenagem este contributo humilde, mas de coração aberto. Obrigado.


quinta-feira, março 08, 2007

DIA DA MULHER

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Hoje comemora-se o dia internacional da Mulher. É normal associarmos à mulher: beleza, maternidade, amor, direitos e tantos outros adjectivos e/ou condições que podem exprimir o que pensamos ou desejamos para ou delas. Contudo, a mulher - tal como o homem - desde que nasce até que morre, pode traçar os seus objectivos de vida. Umas alcançam-nos, outras não. Eu admiro na mulher principalmente o carácter, a formação, o amor, a beleza. São essas qualidades que, em conjunto com outras, me encantam. Mas para este dia quis escolher uma mulher modelo, cujas qualidades de amor ao próximo, muito admirei e me seduzem: Madre Tereza de Calcutá. Foi uma mulher que dedicou uma vida aos mais desfavorecidos, deixou atrás de si uma obra que hoje é reconhecida e apreciada, da qual beneficiam talvez milhões de pessoas. É um exemplo de vida a seguir, para quem tiver coragem de o fazer. Com este testemunho de amor que vos deixo, formulo votos de que cada mulher possa encontrar e seguir os seus objectivos, obtendo a felicidade plena, segundo a sua medida.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Interlúdio

Há momentos em que sabe bem parar para pensar, daí o nome deste post: interlúdio. É um espaço de tempo que quero aproveitar para escrever sobre a mãe natureza e a beleza que encerra. O inverno é - normalmente - uma época que consideramos menos agradável. A chuva, o vento, o frio que nos tolhe os movimentos, o carro que custa a pegar, são tudo pequenos senão que temos de ultrapassar. Quando estamos com alguém que conhecemos pela primeira vêz - ou com quem não temos muita confiança - a primeira coisa que nos ocorre é falar no tempo. Hoje está mais frio que ontem....., choveu tanto esta noite....., era tão bom que amanhã fizesse sol .... e outras frases indênticas. Na verdade, também estas pequenas coisas são necessárias por muitos motivos, se não, vejamos. Estas últimas semanas tem alternado chuva com sol, frio com temperaturas mais elevadas - embora próprias da época - mas tudo isso é bom. Há menos de dois mêses coloquei estes narcisos na terra, foram crescendo e a semana passada já estavam a abrir, hoje têm este aspecto. É agradável a visão que proporcionam as suas campainhas de uma amarelo cor de ovo - inclinadas, como se estivessem a fazer-nos uma vénia - como que a dizer-nos: olá, aqui estamos. A natureza é sempre bela e quando não a vemos como tal, então não vemos bem, certamente. O belo é observado pelos olhos, absorvido pelo raciocínio e vivido com o coração. Quando se ama, o feio tranforma-se em bonito, não é verdade? A beleza que nos sugere as flores é uma oferta da natureza e poderemos interpretá-la como uma benção do Criador. Se amarmos a natureza, estaremos a amar o próximo também e por complemento Aquele que criou tudo isso. Compreender é fácil, viver amando é mais difícil, mas podem crer que é o mais belo que há.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Fátima Cidade e Santuário


Fátima foi fundada como freguesia em 1568, mas para a história do séc. XX, só passou a ser conhecida após o ano de 1917, época em que se verificou um fenómeno na Cova da Iria que viria a tranformar este pequeno lugar numa das cidades mais conhecidas do Mundo. A freguesia de Fátima tem uma área de 71,29 km2 e pouco mais de 10.000 habitantes. Foi elevada a Vila em 19 de Setembro de 1977 e posteriormente a Cidade em 12 de Julho de 1997. Em Junho de 2003 e após cerca de 10 anos de luta, foi-lhe outorgado a autonomia administrativa passando a concelho em Lei aprovada por unanimidade na Assembleia da República, tendo como justificativo a sua espefícidade. Esse dia levou até ao Parlamento mais de meio milhar de fatimenses e com a aprovação da lei na generalidade, foi a festa do povo nas imediações da Assembleia da República e mais tarde em Fátima, onde a comitiva foi recebida em festa. Foi enorme a desilusão quando, no mês seguinte, a Lei foi vetada pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio. O impacto da decisão do P.R. não foi compreendida pela população e forças locais. Uma onda de indignação subjugou uma população revoltada, mas silenciosa. A alegria da autonomia em relação ao concelho de Ourém dera lugar a uma tristeza indescritível.
Actualmente, de acordo com as estimativas conhecidas, rumam a Fátima cerca de quatro milhões e meio de visitantes anuais.

sábado, fevereiro 03, 2007

Fátima, cidade de contrastes



Durante a semana que amanhã se inicia, vou abordar um tema que me é muito caro: Fátima, uma cidade que em 1917 era uma simples e pouco conhecida freguesia do concelho de Ourém mas, graças aos acontecimentos verificados nesse ano - a aparição de Nossa Senhora a três pastorinhos no lugar da Cova da Iria -, alterou por completo a pacatez deste lugar. Desde então, este lugarejo foi motivo de procura dos crentes quer do País, quer do estrangeiro, tornando-se naquilo que é hoje: uma cidade que alberga um dos santuários mais conhecidos e procurados em todo o Mundo. Fátima desenvolveu-se graças ao fenómeno religioso que se tornou no seu motor mas a sociedade civil e o poder não acompanharam devidamente essa evolução. É esta cidade com caraterísticas muito próprias que tentarei dar a conhecer ao longo dos artigos que irei postar. Abri com um trabalho fotográfico obtido anteontem, a basílica de Fátima tendo como fundo o pôr do sol, é intencional, pois na aparição de Nossa Senhora ela disse que faria um milagre - o chamado milagre do sol - para que os homens acreditassem e fê-lo em Outubro desse ano perante cerca de 70.000 assistentes na Cova da Iria. Para quem não acredita, é um tema controverso, mas falaremos disso mais além.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Referendo ao aborto

Como todos sabemos, os portugueses vão ser chamados a votar no referendo ao aborto a ocorrer em 11 de Fevereiro próximo. Sendo um assunto que envolve polémica, dado que os seus promotores fizeram deste uma bandeira política, inclusivé não respeitando os direitos da Mulher - de que se dizem arautos -, e querendo fazer-nos crer que a despenalização do aborto é a única solução para defender as mulheres que engravidaram e pretendem dessa forma eliminar o fruto da sua relação consentida ou não, estão a ir contra os elementares princípios dos direitos humanos que devem ser reconhecidos a todo o ser humano. É necessário proteger sempre os mais fracos e neste colidir de direitos entre mãe e filho, não tenho dúvidas em optar por aquele que não se pode defender: o novo ser humano que nasce e que neste caso, nem a sua própria progenitora o acolhe antes, opta por eliminá-lo - ou outros com o seu consentimento -, mesmo já sendo um ser vivo. A vida é gerada por vontade de um Criador, apenas Ele e só Ele, poderá ter a última palavra. Seria bom que reflectissemos sobre algo muito simples: se a nossa mãe tivésse abortado, nós hoje não estaríamos aqui para concordar ou discordar de tal acção. A pergunta do referendo é: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?". Este tema é muito caro a certa "esquerda" da política portuguesa mas, independentemente de opções políticas, é ainda mais penoso verificar que aqueles que nos governam (a todos os portugueses) tomam posição por uma minoria da população, pondo em risco o todo a quem deveriam servir, pois foi para tal que o povo português os elegeu. De facto, é imoral e vergonhoso sobretudo, quando o povo português se debate com outros problemas bem mais graves nos aspectos económicos e sociais. Quero aqui recordar as palavras do saudoso Papa João Paulo II, quando disse (referindo-se ao aborto): Um país que mata os seus próprios filhos, não tem futuro. Aqui deixo esta frase para que todos, sendo a favor ou contra, possam reflectir e tomar a melhor decisão nesta matéria. É essencial que os portugueses não se abstenham no dia 11 de Fevereiro, por favor marquem a vossa posição a favor da Vida, pois a resposta ao referendo para mim é clara: NÃO. Sim à Vida, Não à morte.
Nota: dado que o tema merece um acompanhamento mais personalizado, criei novo espaço em SIM À VIDA, http://edusant.blogspot.com/ onde terei todo o gosto em receber todos aqueles que o desejarem.

domingo, dezembro 31, 2006

Bom Ano de 2007


A tradição ainda é o que foi outrora. Nesta quadra, expressamos os nossos sentimentos de amizade àqueles que nos rodeiam - ou estão longe - mas, com os quais estamos em comunhão. Formulamos votos de que alcancem o que pretendem e para isso, utilizamos os mais variados meios, muitas vêzes sugestionados pela publicidade comercial. No meio de tudo isto: prendas, festas, viagens, acabamos por gastar as nossas energias e dinheiro. Tudo isso poderá ser bom, possívelmente vai satisfazer o nosso ego e até poderemos aparentar um sentimento de alegria sincera ou ilusória. Mas a verdadeira vivência desta época festiva deve partir do nosso coração. Um coração que seja o apelo à consciência de um balanço de vida, da retoma de objectivos já olvidados, da procura da paz interior e exterior. Se estivermos em paz connosco, ela vai refletir-se nos outros e estará em sintonia com aqueles que a procuram.
Para o meu "cartão" de Boas Festas escolhi esta foto de uma roseira pequenina que tenho à entrada de minha casa. Em pleno mês de Dezembro apresenta estas lindas rosas - que apelido de "rosas de inverno". É com esta imagem por fundo que endereço a todos que me visitam ou que comigo partilham, os votos de um Novo Ano onde a cor destas pétalas marque as vossas vidas; o odor das rosas possa constituir o doce enlevo dos vossos sentidos; o desabrochar dos botões corresponda às virtudes que possais emanar para os outros e finalmente, que o verde das suas folhas seja a esperança de uma vida, durante a qual sejais felizes e o vosso coração se abra aos outros para que eles sejam felizes também. A sugestão é minha, mas o caminho tereis que o escolher. Paz e Bem.

sábado, dezembro 23, 2006

Vamos viver o Natal

Esta foto do marco de correio é uma imagem para recordar.... apesar de ainda existirem alguns pelo país, a verdade é que representaram toda uma época que está a findar. Recordo-me que por esta ocasião do ano escrevia e enviava algumas dezenas de cartões de boas festas, primeiro escrito pelo próprio punho, mais tarde já os cartões traziam um texto e eu apenas assinava, mas agora há outros meios - sobretudo o telemóvel - que os substituiram. Também eles estão em "vias de extinção", caminham a passos largos para serem uma raridade. Começo a ter saudades, não dos cartões, mas do tempo e da forma como se vivia, da troca de votos pela via escrita. Tinha o seu encanto, um aroma muito especial de intimidade individual. Mas como quase tudo tende a evoluir - ou a mudar -, estou nessa, como dizem os mais novos, também envio as boas festas através de SMS. Aqui e agora, deixo-vos apenas o recipiente para que possais recordar um meio de transporte que milhões de pessoas utilizaram para exprimir os desejos de Boas Festas, com mais ou menos "floreados", de forma sincera ou quase obrigatória na época natalícia. Sejamos realistas, o modo pouco interessa, o importante é que os nossos desejos sejam formulados de coração aberto para todos aqueles que nos rodeiam. A Net é uma forma privilegiada para o fazer, pois o seu alcance e difusão são algo excepcional. Vamos aproveitar esta via e endereçar a todos que tenham a felicidade de viver nesta época e neste planeta, o desejo de que tenham um Natal agradável, mas sobretudo que vivam esse espírito de paz e amor que nos aconchega a alma, lutando para que haja Natal todos os dias. Recordemos aqueles que não não têm condições - seja quais forem - e se estiver ao nosso alcance, estendamos uma mão amiga. Pior que a falta de alimentos e outros bens essenciais, será a injustiça que se abate diàriamente sobre milhões de seres humanos que não sabem o que é viver o sonho de um Natal Feliz. Quantas vêzes uma palavra amiga de conforto vai ajudar a atenuar a falta de condições, apesar de não as substituir. Porque este Natal de 2006 é único - nunca aconteceu e jamais retrocedrá -, convido-vos a uma reflexão serena no sentido de perguntar a cada um de nós: o que fiz eu em favor daqueles não têm Natal? Que Aquele que tudo nos dá nos ajude a responder com verdade a esta pergunta e alguém possa receber não uma resposta, mas um carinho nosso que pode ser traduzido naquilo que mais desejarmos fazer pelos que não têm Natal. Um Santo e Feliz Natal para todos.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Dia Mundial da Sida

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Luta contra a Sida. Desde que surgiu - ou passou a ser conhecida como tal - esta doença há 25 anos, não parou de aumentar o número de vítimas por todo o mundo. Governos, instituições, personalidades, doentes e familiares mantêm uma luta cerrada para combater o flagelo. Estima-se que a sida já tenha sido a causa de morte de 25 milhões de pessoas em todo o mundo e que o número de infectados com o HIV se cifre em cerca de 40 milhões. De acordo com o relatório da UN/OMS, a sida é a doença mais mortal da história da Humanidade. É arrepiante esta informação e os números são impressionantes.
África é o continente com mais infectados logo seguida da Ásia. Na África do Sul há mais de 240 mil infectados com menos de 15 anos, o que significa que a doença está atingir cada vez mais os jovens. As perspectivas futuras não são animadoras, a Onu/Sida avança que a epidemia continuou a aumentar no ano de 2006 a nível mundial.
Portugal não é excepção. Entre 52 países europeus, Portugal ocupa o segundo lugar no número de novos casos de infecção. A sida no nosso país deverá atingir cerca de 60 mil infectados, sendo o único país europeu em que a mortalidade por esta doença permanece sem descer. Segundo estudos da Aidsportugal, morrem três pessoas por dia, vítimas desta doença.


Os gastos no tratamento desta doença no nosso país poderão equivaler a um valor de 504.7 milhões de euros/ano para este número de atingidos. São as contas que a Associação GATportugal avança. Portugal é o único país da Europa onde a principal causa de morte para homens entre os 24 e 39 anos é a sida. É um recorde de que não nos podemos orgulhar e que teremos de combater ferozmente. O Governo português tem um "Programa Nacional de Prevenção do VIH/SIDA". De acordo com as palavras do seu actual coordenador, Henrique Barros, "não fomos ainda capazes de diminuir claramente o número de doentes com sida ou que morrem com a doença". É uma constatação de que o problema é complexo e cuja resolução não está à vista. O programa agora lançado pretende: "prevenir a doença, garantir tratamento de qualidade e promover uma resposta social eficaz". Façamos votos para que tenham os meios adequados para tal e um mínimo de êxito que nos permita manter alguma esperança para o futuro.


A organização Mundial de Saúde refere que "existem enormes falhas e desafios a necessitar de resposta". A prevenção é dos aspectos mais importantes. Seja a abstinência sexual, como defendem alguns; a educação sexual que outros consideram primordial com ou sem uso do preservativo. Há factores de alto risco que é necessário corrigir, casos das drogas injectáveis ou relações sexuais não protegidas, mas tudo isto será muito pouco se cada um de nós não reflectir nas consequências desta doença. Há uma responsabilidade colectiva, sobretudo dos Governos, mas a nossa - individual, de cada cidadão - é inalienável. Como diz o povo: não podemos passar a bola. Temos obrigação de estar devidamente informados, ajudar os outros na obtenção dos meios que lhes permitam fazer frente à doença e nunca ser indiferentes àqueles que a têm e podem precisar da nossa colaboração. A solidariedade para com os outros não pode ser palavra vã. Vamos lutar por esta causa, segundo as nossas possibilidades mas, também, de acordo com as nossas obrigações de cidadãos do Mundo.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Outono, uma estação de esperança



No outono de muitas cores

Predomina o amarelo da vida

Tal como as folhas caídas

Após forte ventania

Mas a porta está aberta

Em frente à estrada da vida

Segue-a, seja curta ou longa

Terá que ser percorrida

No seu termo encontrarás o inverno

Não pares para lamuriar

Abre o teu coração desalentado

Diz à primavera para entrar




A marca indelével da existência que foi a vida está a escoar-se lenta e suavemente, a ampulheta do tempo é a atroz realidade intransponível. O passado não volta, serve apenas de recordação de bons e maus momentos. Lembrá-los poderá ser uma angústia ou um prazer, dependendo da nossa consciência e da capacidade de análise que possamos interiorizar. Há tempo para arrenpendimento, espaço para remediar e vontade para fazer aquilo que não conseguimos e ainda desejamos. Se o tempo urge, a vontade exige. Vamos em frente sem hesitação, o prémio está à nossa espera.





Após o outono surge o inverno, estação que aconselha mais cuidados a todos e cada um de nós. A interioridade individual é premente. Procuramos o calor humano no coração das pessoas, muitas vezes o exterior - onde o gélido dos sentimentos nos magoa - não conta, mas a sua realidade coexiste no dia a dia. O frio da sociedade e as chuvas do egoísmo não podem impedir-nos de marcar o caminho. Tal como o inverno faz subir o caudal das águas do ribeiro, este segue inaplávelmente o seu curso até ao final, onde poderá diluir-se, sustentado em lugar seguro. Depois da sua passagem nada fica igual, quase tudo se transforma desde as pedras mais polidas até à vegetação que adquire um porte e cores de vida. Ao vislumbrarmos a imagem da ribeira que está acima, poderemos sentir a doce paz da tranquilidade que todos nós ansiamos e que pode permitir-nos ultrapassar todas as estações da vida com um sorriso de felicidade, mesmo no meio das agruras do quotidiano. Aí, sim, teremos direito a uma primavera que entranhará no nosso coração e transbordará como um bálsamo para todos aqueles que connosco percorrem o mesmo caminho. Para que o ditado popular "as palavras, leva-as o vento" não tenham significado para nós, vamos passar do pensamento à prática e olhar em redor, perscrutando os anseios e carências daqueles que sofrem e dar-lhe uma mão - conforme as nossas possibilidades - , mas se tal não for possível, uma palavra de conforto ou um sorriso, também podem ajudar.

sábado, novembro 11, 2006

Viva o verão de S. Martinho


Hoje é dia de S. Martinho, um santo muito festejado pelo povo. Um santo que, segundo os escritos que se conhecem, nasceu possívelmente no ano de 317 da nossa era em solo do então império romano. Consta que era filho de um soldado do exército romano, estudou em Pavia e foi cavaleiro da guarda imperial. Diz-se que por volta do ano 338 um acontecimento mudou a sua vida. Numa noite fria e chuvosa, Martinho viu um mendigo com ar miserável e quase nu, teve pena dele e cortou metade da sua capa de cavaleiro, tendo entregue ao indigente. O seu gesto de solidariedade para com o infeliz serviu de riso aos seus companheiros de armas, dado ele ter ficado apenas com meia capa. Mas segundo a lenda, de imediato a chuva parou e surgiram uns raios de sol entre as núvens. Seria um sinal do céu. Ainda de acordo com os escritos, Martinho teve no dia seguinte uma visão, ouvindo uma voz que lhe disse "cada vez que fizeres o bem ao mais pequeno dos teus irmãos é a mim que fazes". Após este encontro com o pobre (que seria o próprio Jesus) , Martinho pede o baptismo, muda o seu comportamento - deixando de perseguir os cristãos - e exilou-se em França. Aí fundou o mosteiro de Ligugé e depois outros. A vida de virtude que encetou, levou muita gente a seguir a via monástica. As suas pregações, despojamento e simplicidade servem como exemplo e é considerado santo.
S. Martinho dedicou a sua vida à pregação, foi Bispo de Tours e gerou grande controvérsia devido à sua actuação. Mandou destruir templos pagãos, introduziu festas religiosas e defendeu sempre a independência da Igreja face ao poder político. Martinho morreu em Candes no mês de Novembro do ano de 397, tendo o seu féretro chegado a Tours em 11 de Novembro desse ano. O culto a este santo começou logo após a sua morte. A fama da sua santidade espalhou-se rápidamente pelo mundo. Em Tours foi edificada uma basílica que serviu de peregrinação durante séculos. O povo ligou o culto de S. Martinho à terra e aos seus produtos, especialmente o vinho. São conhecidos muitos provérbios relacionados com este dia. Cito apenas três para finalizar:
Este é um dia especial, vamos aproveitá-lo o melhor possível, umas castanhas assadas e um copo de vinho, vinham mesmo a calhar....
Bom fim de semana para todos.