sexta-feira, julho 07, 2006

O Fado mora em Lisboa


José Malhoa-1910 * Museu da Cidade - Lisboa

Nada melhor que terminar este trabalho singelo com uma referência ao fado, canção de Lisboa. Ilustramos com um quadro de José Malhoa, pintor de renome e que ainda hoje é recordado como grande mestre.
Lisboa tinha na década de 60 várias casas de fado. Só bastante mais tarde é que as conheci. Mas havia uma artista que preencheu o meu imaginário na juventude, que muito admirava e hoje presto homenagem: Amália Rodrigues. Passados tantos anos, continuo a ser fã. Admirava outros fadistas da época, uns mais que outros. Semprei gostei de ouvir o fado de Lisboa no feminino, porque o fado de Coimbra agrada-me mais no masculino, a forma e tonalidade são diferentes. No aspecto musical as minhas opções eram o Fado e The Beatles, aquela banda que mais tarde ficou famosa e ainda hoje é reconhecido que foi um marco para a época. Continuo a escutar com prazer qualquer destes tipos de canção.Recordo ainda com saudade a primeira vez que vi e ouvi Amália na Televisão - ainda a preto e branco - creio que em 58.
No aspecto artístico, os anos 60 ficaram marcados também pelo Teatro. Assisti a espectáculos no Nacional, por onde passaran grandes artistas e peças de muita qualidade, mas a minha simpatia e admiração nessa área foi sempre para o teatro de revista. Fui várias vezes ao Parque Mayer, tinha Artistas preferidos e que admirava, António Salvador era o número um. Adorava as piadas políticas e ele tinha um jeito de as transmitir melhor que ninguém. A subtileza, mordacidade e alegria das peças de revista sempre me deliciaram. A inauguração do Metro de Lisboa foi outra etapa vivida e que encarei com a maior normalidade, mesmo apesar de ouvir muitas pessoas de idade avançada dizerem: "eu andar debaixo do chão, nunca", mas a verdade é que anos volvidos até mesmo os mais velhos ficaram rendidos ao novo meio de transporte.
Antes de terminar, quero ainda recordar algo que marcou a minha infância nessa década. Eu que conhecia bem os cantinhos de Lisboa em função do meu trabalho, nessa altura também era guloso (o que é doce, nunca amargou, diz o nosso povo) e sempre que tinha de me deslocar a um cliente perto da Graça, subia a Calçada de S.André. Sensívelmente a meio da subida, havia um prédio antigo onde se encontrava sempre -junto à entrada - uma senhora de idade, ali vendia pasteis de nata feitos por ela. Custavam cinquenta centavos (cinco tostões). Sempre que ia àquele cliente, subia a rua de propósito, só para comprar os pasteis. A sensação que tenho ainda hoje é que não havia pasteis melhores que aqueles, nem os de Belém me sabiam tão bem. Anos mais tarde deixei de ver a senhora dos pasteis, mas a verdade é que ficou a lembrança. A criança que ainda hoje existe em mim CHORA esses tempos.

6 comentários:

Coisas de Mulher disse...

Pareciam-me erros de teclado e afinal era um passatempo. Parece-me HORZA mas deve ser CHORA. Aquele puto, era mesmo um "Zé qualquer"?

Filipe Freitas disse...

Caro Amigo: Aqui estou então de visita à sua nova "Casa" e com temas bastante interessantes, que já estive a ler.
Por isso desejo-lhe boa sorte para este novo cantinho.
Um Abraço e bom fim de semana.

Luisa disse...

Descobri o teu blog através da visita ao meu. Estive a ler alguns artigos de que gostei muito. Não sou lisboeta (nasci em Alenquer) mas na minha juventude vim viver para a cidade e logo me encantaram muitas das coisas que aqui descreves. Hei-de vir aqui mais vezes ler os teus interessantes artigos. Um bom domingo.

jo disse...

Obrigado pela passagem pelo nosso blog o que fez com que conhecesse este que é interessante. Em jovem andava sempre caída nas casas de fado. Ainda gosto, mas já não vou.
Abraço

Mily disse...

Novamente aqui, visitando as postagens que ainda não conhecia.

Fiquei imaginando as peripécias que o pobre do miúdo, o Zé, tinha que fazer para safar-se de pagar o bilhete, a fim de economizar uns trocados. Admirando também a astúcia do guarda-freio em colocar o veículo numa posição que fizesse o sinaleiro dar-lhe razão no incidente provocado pelo condutor. Muito esperto esse guarda-freio. Em compensação o pobre do condutor não sabia o que pensar de tal acontecimento. Muito interessante estes dois fatos.

A sua descrição de Lisboa é uma verdadeira aula de cultura e entretenimento. Aprendi a gostar de fados através de amigos/vizinhos portugueses que freqüentavam nossa casa quando eu ainda era criança, e que ficavam, junto a meus pais, a ouvi-los. Amália Rodrigues sempre foi a fadista preferida de todos eles.

Achei interessante seu desafio para letras maiúsculas que apareceriam ao longo das postagens. Não foi difícil identifica-las à medida que ia lendo os artigos, mas a letra C, que seria a primeira da palavra, ainda continua para mim um desafio. Acredito que estaria impressa no artigo “Lisboa vista da janela”, e talvez identificada na palavra Comércio. Seria esta?

Nesse caso ficaria assim: C (Comércio) H (senHora) O (carrO) R (recordo-me) A (artistas).

Como prometeste dar a chave no último parágrafo deste artigo, e lá se encontra em destaque a palavra CHORA, acredito que esteja aí a solução do 'mistério'. Como não tenho conhecimento dos meios de transportes antigos usados aí em Portugal, acredito que essa palavra faça a designação do transporte por ti citado.

Sua estratégia vem a ser uma excelente forma de nos aguçar a atenção. Parabéns pelo artifício utilizado.

Desejo-te uma excelente semana onde a realização dos projetos esteja conjugada a fatores que te tragam muitas alegrias.

Um abraço fraterno e até um outro momento.

Pdivulg disse...

O tempo não volta atrás, não será pior agora será diferente... Pasteis de Belém? São de comer e chorar por mais mesmo hoje! Há bem pouco tempo passei junto ao Mosteiro dos Gerónimos e está la a famosa pastelaria de pasteis de Belém, mas sinceramente estavam lá dezenas de pessoas em fila esperando pelo seu pastél, reconheço que não tive paciência para tanta espera para uma "guloseima" ...
Gostei muito da primeira foto do blog dos jovens em Fátima.